Games podem nos transformar em super-humanos: entenda o termo “flow”

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Há um bom tempo venho estudando a magia de abdução que o vídeo game nos coloca. O termo que mais se destacou em minhas pesquisas foi o “Flow”, citado em diversos livros bons sobre games e psicologia em geral. Este termo foi criado por Mihaly Csikszentmihalyi, e em resumo poderia ser definido como “um momento de extremo prazer e de trabalho duro estimulado por grandes desafios“.

Estando no estado de flow você nem sente o tempo passar, de tão imerso que acaba ficando. O vídeo game é campeão em nos deixar nesse estado de flow. O mais interessante é que quanto mais difícil é o jogo, maior a intensidade de prazer que o flow proporciona, por isso que hoje em dia tem muita gente viciada em obter conquistas. E as mais difíceis fazem com que esse estado se mostre mais intenso. Como consequência, o flow deixa como legado em nossa memória uma grande felicidade proporcionada pelo desafio que o jogo lhe trouxe.

 

Paixão pelo difícil

Eu sempre fui o tipo de pessoa que ama jogos difíceis, e agora com as conquistas sendo incorporadas a basicamente todos os jogo, me tornei um viciado em obtê-las. Antes de pesquisar esse assunto eu já notava que desafios maiores afiavam minha atenção a ponto de esquecer de ter fome e de dormir.

No final, quando o desafio era superado, eu era tomado por um prazer imenso que me fazia apreciar o jogo de forma muito mais profunda do que apenas zerando em níveis medianos.

 

Por que nem todo mundo sente o flow

Me perguntava sobre como uma pessoa poderia jogar um game que eu curti demais e desistir logo no começo. Hoje sei a resposta, e percebo que a pessoa não chegou ao ponto de atingir uma habilidade mínima necessária para os desafios puxa-lo para dentro, podendo assim atingir um nível de flow considerável.

No fim, a pessoa acabava apanhando mais da jogabilidade do que dos desafios do game em si. Isso justifica a criação de games mais fáceis para que qualquer um possa iniciar a experiencia de flow gradativamente conforme vai sendo desafiado.

 

Superpoderes da atenção no flow

Segundo Mihaly, nosso sistema nervoso é incapaz de processar mais que cerca de 110 bits de informação por segundo. Para que uma pessoa ouça e entenda a outra é necessário processar cerca de 60 bits por segundo. É por isso que não se pode ouvir mais que duas pessoas, não dá para entender duas ou mais pessoas falando ao mesmo tempo.

Quando você está em um estado de flow em qualquer coisa na vida não sobra de atenção o suficiente para monitorar como seu corpo se sente, ou seus problemas em casa. Não consegue nem sentir se está com fome ou cansado. A identidade e corpo de certa forma desaparecem nesses momentos porque não tem atenção o suficiente sobrando.

De acordo com Mihaly, atingir esse estado de flow só é possível para quem já tem o domínio de algo. Um exemplo é quando uma pessoa já fechou um determinado jogo várias vezes, e domina a jogabilidade como se o personagem fosse a extensão de seu próprio corpo. E a partir dai poderá tentar os níveis insanos do game. É justamente neste ponto que a coisa se torna mais intensa do que nunca, e você é abduzido mais ainda ao universo do game. Por isso que mães em geral não entendem a sensação que o filho sente quando ele não dorme nem come. Se ela der chance a algo que faça sentir o flow irá entender o quanto isso é intenso e prazeroso (é claro que temos que ter um mínimo de noção e dar atenção à nossa saúde, mas estou aqui usando exemplos simbólicos para que compreenda).

Uma coisa interessante do flow é que ao mesmo tempo em que ele te sobrecarrega com desafios incríveis, também gera uma percepção de ausência de esforço, pois a tarefa flui tão naturalmente e de forma prazerosa que o afiado e flamejante fio de atenção faz parecer que não existe esforço consciente, quando na verdade exige muito mais esforço que o normal. A diferença é que você está num estado “superpoderoso” que desperta em você uma fluidez de energia que poderia ser comparada a um potente raio laser de atenção desintegrador de desafios.

 

Os 7 itens do flow

Baseado na pesquisa de Csikszentmihalyi, existem 7 itens em comum que aparece em todo tipo de pessoa que se encontra em flow:

  1. Completamente envolvido no que se está fazendo: com foco e concentração;
  2. Um sentimento de êxtase, de estar fora da realidade do dia a dia;
  3. Uma maior claridade interna, sabendo o que deve ser feito e quão bem estamos fazendo o que deve ser feito. Temos feedback imediato;
  4. Saber que a atividade é possível, que nossas habilidades são adequadas para a tarefa;
  5. Uma sensação de serenidade, sem preocupações e um sentimento de estar crescendo além dos limites do ego;
  6. Uma idéia de estar além da dimensão temporal, totalmente focado no momento presente. As horas parecem passar como se fossem minutos;
  7. Motivação intrínseca, seja qual for o elemento que produz, o estado de flow é a própria recompensa.

 

Breve conclusão

O flow acontecerá quando seus desafios e habilidades forem acima da média, e precisa ser algo que realmente goste de fazer. Eu sinto muito o estado de flow também ao programar no trabalho. Sinceramente, acredito que todo gamer tem um potencial imenso para isso. Se você não programa em nenhuma linguagem ainda, é porque só não deu chance o bastante para desenvolver o inicio da habilidade básica da logica de programação. Se pegar o básico com certeza será desafiado de inúmeras formas, e ainda poderá ganhar dinheiro com o resultado.

Por enquanto vou ficando por aqui, mas falarei muito mais sobre flow e a magia que os games despertam em nosso aprendizado e comportamento. Para finalizar esse post, segue abaixo uma palestra do Mihaly Csikszentmihalyi que me inspirou a escrever esse primeiro post sobre o assunto. Logo compartilharei o conteúdo de diversos livros que li sobre este assunto.

 

Palestra Mihaly Csikszentmihalyi sobre flow

 

Segue a palestra abaixo:

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One thought on “Games podem nos transformar em super-humanos: entenda o termo “flow”

  1. Agora sei o nome do que me faz muitas vezes comer e dormir fora de hora. rsrs
    É interessante ver que há um estudo sobre isso e que isso afeta todos nós em diferentes níveis, e que isso não é viver “fechado em seu próprio mundo”.
    Esclarecedor e interessante! ^^

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