Incoerências em A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais (2021)

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Os filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais têm boa intenção, porém há considerações importantes a serem feitas antes que você assista (veja o primeiro filme aqui).

Antes de continuar, dê uma olhada aqui. COM CERTEZA algo vai chamar sua atenção 😍

Antes, é importante relembrar: em 2002, o crime envolvendo Marísia e Manfred von Richthofen mexeu com o imaginário popular. Foi um crime violento, bárbaro mesmo, mas se tornaria ainda pior quando se soube que a filha do casal, Suzane, estava envolvida nos assassinatos.

Ela teria se juntado ao namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, para matar os próprios pais.

Em 2006, portanto quatro anos depois do crime, Suzane deu uma entrevista ao Fantástico onde tentou fazer a “construção visual da mocinha”: vestindo roupas infantis, com voz infantilizada, parecia frágil demais para conseguir arquitetar algo tão macabro contra sua própria família.

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Ela disse que tinha sido induzida pelo namorado, Daniel Cravinhos, a ajudar no crime. Só que tudo veio abaixo quando vazou um conselho que ela recebeu do advogado: ele pediu para que ela chorasse durante a entrevista, para consolidar ainda mais a ideia de que ela era apenas ingênua.

É esse painel super intrincado que esses dois filmes, A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais, tenta recriar nos dois filmes que têm sido bastante esperados pelo público desde que foi anunciado. Deveria ter estreado nos cinemas, mas foi para o streaming por causa da pandemia.

A Amazon Prime Video comprou os direitos e os colocou em seu catálogo.

Do que se tratam os filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais

Os filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais tentam mostrar os dois lados da história: o de Suzane e o de Daniel Cravinhos, e as versões apresentadas por eles divergem bastante.

Acontece que a história toda tem um terceiro lado: o verdadeiro. Isso porque as duas obras usaram os relatos apresentados pelos próprios criminosos para criar os enredos, descartando as provas colhidas pela polícia e relatos importantes para elucidar o que realmente aconteceu naquele dia, como o do irmão de Suzane.

Os dois filmes, A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais, tem a intenção de ser complementares, apresentando essas visões a respeito das motivações para o crime, que chocou de verdade o Brasil conforme foi sendo revelado pela imprensa.

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Na versão dela, O Menino Que Matou Meus Pais, Daniel era o rapaz humilde que virou um namorado abusivo que a convenceu a matar a família rica para ficar com o dinheiro deles.

Na versão dele, A Menina Que Matou os Pais, Suzane é que é a garota rica e mimada, que o usou para colocar em prática um plano que vinha sendo arquitetado há tempos.

Como não poderia deixar de ser, tanto o filme A Menina Que Matou os Pais quanto O Menino Que Matou Meus Pais se parecem bastante visualmente, usando rimas visuais para fazer a ligação entre eles.

Se tivesse feito apenas dessa forma, os dois filmes seriam ótimos, pois se relacionariam de uma forma orgânica. Acontece que, frequentemente, um usa trechos e cenas inteiras do outro, dando uma sensação de repetição e cansaço em quem assiste.

Esse detalhe de A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais é um defeito e tanto para um projeto com tamanha pretensão.

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Incoerências em A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais

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Além disso, o roteiro escrito por Ilana Casoy e Raphael Montes não fornece nenhum tipo de informação nova, que surpreenda o espectador.

Usa-se então apenas a recriação dos fatos que foram narrados por eles em depoimentos para a polícia para criar os enredos que se chocam frequentemente. Isso é pouco em um projeto como esse, que se pretendia ser definitivo em relação aos crimes contra o casal Richthofen.

Por exemplo: no filme dela, nos é apresentado que Suzane era vítima de maus-tratos nas mãos de seus pais, mas, no filme dele, Marísia e Manfred aparecem sendo pessoas muito duras na criação dos filhos, mas sem qualquer traço de abuso real.

Quem fala a verdade? Nenhum dos filmes responde a essa questão, deixando tudo no ar, como se nada tivesse sido descoberto depois. Só para constar: a versão em que os pais de Suzane eram rígidos, mas não abusivos, é tida como verdadeira pela polícia.

É triste perceber que o projeto dos filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais poderiam facilmente ter sido condensados em um só, mesmo que mais longo, em nome de uma unidade maior para que o espectador pudesse entender melhor todas as contradições envolvidas nos depoimentos de Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos.

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Então não vale a pena assistir A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais?

É uma falha realmente muito grande, mas não significa que os filmes não tenha nenhum mérito.

Pelo contrário: a melhor coisa que podemos encontrar nos filmes A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais está nas atuações de praticamente todo o elenco.

Claro, quem chama mais atenção é Carla Diaz, que interpreta Suzane. É impressionante o que ela consegue fazer com a personagem nos dois filmes, tendo uma personalidade quase infantil na versão que ela lidera (O Menino Que Matou Meus Pais), enquanto na versão dele (A Menina Que Matou os Pais) surge como uma mulher manipuladora, adulta, que sabe muito bem o que quer. É, sem dúvida alguma, o ponto alto.

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(à esquerda, a verdadeira Suzane, à direita, a atriz Carla Diaz)

O achado mesmo é Leonardo Bittencourt, intérprete de Daniel Cravinhos. O ator se sai muito bem dando várias camadas de personalidade ao personagem nos dois filmes.

Tanto em A Menina Que Matou os Pais quanto em O Menino Que Matou Meus Pais Leonardo apresenta um trabalho consistente como o possível elo mais forte da relação, o que não faz com que também não mostre inseguranças em relação a Suzane. Com olhares e trejeitos, ele entrega um trabalho de alta qualidade.

Outro lado positivo dos filmes

No fim das contas, tanto um filme quanto o outro são o primeiro passo, aqui no Brasil, para a exploração de histórias reais no cinema.

O que a gente vê em documentários recentes, como o do Caso Evandro, de Elise Matsunaga e do João de Deus, que estão no streaming, agora começa a ganhar as telas em formato de ficção.

Considerando ser esse apenas um dos primeiros exemplares do gênero, dá para perdoar as falhas. Mas que poderia ser melhor, poderia, sem dúvida nenhuma.

Você também poderá se interessar por Ninguém Sai Vivo (terror), O Homem das Castanhas, Britney vs Spears, Um Ninho Para Dois (comédia dramática), Je Suis Karl (drama social) e Bangkok no Limite.

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