Ansiedade nos Games e Como Isso Afeta Sua Jogatina (2022)

Num mundo com uma infinidade de games novos sendo lançados praticamente toda semana, parece que vem um aperto no coração com aquela verdade dolorosa, que é saber que não vamos viver o bastante pra jogar tudo o que queremos.

Mesmo que tomássemos uma poção mágica que nos fizesse viver 500 anos, acredito que não daria pra gente jogar todos os games da nossa lista de desejos.

E isso porque é humanamente impossível acompanhar o ritmo dos lançamentos, principalmente nessa era de jogos Indie que não dependem de grandes empresas para virem ao mercado. Isso facilitou que criações maravilhosas viessem á tona, jogos muitas vezes feitos por, no máximo 3 pessoas num time de amigos designers e programadores.

Como gamers, nossos olhos brilham! Essa democratização nos lançamentos de jogos permite que coisas totalmente fora da caixa apareçam em lojas como a Steam, por exemplo.

Tantos jogos, tão pouco tempo

Mas, como eu disse, essa variedade e velocidade em lançamentos cria em nós, jogadores apaixonados, uma pequena frustração por não conseguirmos jogar tudo o que queremos.

Pra tentar ao máximo superar essa barreira, o mais comum é tentarmos zerar os jogos o mais rápido possível, para que o próximo da lista tome logo seu lugar. E assim sucessivamente, um jogo após o outro, riscando um por um os itens daquela lista enorme chamada “Jogos que quero zerar”.

Conheço pessoas que compram um jogo, mergulham nele de cabeça, e pouco mais de um ou dois dias depois postam nas redes sociais uma foto orgulhosa dizendo que zerou mais um game. Em um mês, essa pessoa consegue riscar pelo menos 10 jogos da lista de desejos. E depois lá vai ela pegar mais jogos, num frenesi alucinado em busca de mais, mais e mais… Quase como uma droga que tenha tomado conta de seu corpo.

Você conhece alguém assim? Ou… Talvez você seja assim?

Você está jogando errado

Minha pergunta é: será que essa pessoa está de fato curtindo o game? Vamos fazer uma comparação: se você vai num banquete, e engole o máximo de comida que pode… Consegue apreciar o sabor de cada um dos pratos? Eu acredito que com games é muito parecido.

Pense comigo: um game é feito por uma pessoa (ou uma equipe) que pensou em diversos detalhes para a experiência do jogador. Desde o personagem, os detalhes do cenário, até os sons e a música em si.

Inclusive, tem gente que sequer joga ouvindo as músicas do game. Ligam o Spotify e colocam uma playlist em vez de obter tudo o que o game tem a oferecer.

Por isso aquela minha pergunta: será que essas pessoas estão de fato curtindo o game? Passam tão rapidamente pelas fases, sem às vezes nem observar o cenário, que muitos detalhes incríveis são deixados de lado.

Nesse estilo de jogatina, a impressão que dá é que o objetivo da pessoa com o game não é se divertir, se distrair. Mas se livrar dos itens de uma lista enorme. Jogam rápido quase como se tivessem um chicote nas costas, mandando que zerem o game o mais rápido possível, pois o próximo game da lista já está gritando por atenção.

É meio sufocante, não acha? Conta nos comentários a sua opinião.

Uma coisa é certa: games incríveis vão continuar a serem lançados. O tempo todo. E não importa o quão rápido joguemos, ou o quão longevas sejam nossas vidas: nunca teremos tempo pra todos os jogos. Mesmo que devoremos todos eles rapidamente, passando com pressa pelos diálogos, como se fossem os termos de uso de um software…

Você, nem eu, nem ninguém vai jogar todos os bons jogos que existem. E se alguém acha que já jogou tudo o que realmente “presta”, é porque não conheceu todos ainda. Porque tem muitos tesouros escondidos (por falta de visibilidade e divulgação).

Acho que o maior problema é que a cada geração que passa estamos perdendo o prazer de fazer as coisas com calma. Não ouvimos mais a música tema do jogo… Não prestamos atenção nos diálogos dos personagens… Às vezes nem lembramos o nome do protagonista. Andar pelo cenário então, notando os detalhes colocados pelos designers, virou raridade.

Às vezes alguns easter eggs (ou itens especiais, cenas extra) passam batido porque o jogador apressado correu direto ao ponto, sem explorar os cantos. Às vezes uma pichação na parede do game é uma referência a algo mais profundo que tem a ver com o contexto da narrativa, mas ninguém percebe, porque a história do jogo se torna algo de pouca importância, já que o objetivo é zerar o mais rápido possível.

Então… Será que esse jogador está, de fato, curtindo o game? Ou está apenas engolindo tudo sem saborear cada nuance do que foi preparado durante meses, às vezes anos?

O que fazer com essa lista de games?

Bom… Como já sabemos que não vamos ter como jogar todos os jogos do mundo, o melhor a fazer é, durante aquele jogo em específico, nos desligarmos das outras coisas. Mergulhar apenas naquele jogo, e somente nele, absorvendo tudo o que aquele mundo tem a nos oferecer.

Se há uma história, vamos mergulhar nela. Se há música, vamos ouvir até enjoar, pois essa música marcará esses momentos. Se há um cenário, mesmo que todo em PixelArt ou LowPolly (que eu particularmente amo), vamos apreciá-lo. Pois em cada pixel, em cada polígono, há o trabalho de um artista digital que em algum momento pensou “será que o pessoal vai curtir? Será que eles vão notar esse detalhe? Será que vão ouvir essa música, ou gostar dessa história?”.

Afinal, muitos podem não perceber, mas videogames são arte interativa. São para nos divertir, para nos distrair, e para que apreciemos momentos únicos num universo diferente do nosso.

Olhe para o jogo de agora sem pensar no jogo de amanhã. Isso também vale pra vida.

Foi muito legal ter você comigo durante essa reflexão. Se inscreve no canal do YouTube para receber conteúdos como esse (pois esse post foi tirado do vídeo abaixo que fizemos). Te espero para a próxima reflexão aleatória!

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Nantai

Escritora, ilustradora e taróloga autodidata, Nantai procura reavivar a centelha de magia que todos temos. Gosta de montanhas, gatos, e de escrever ao som da chuva. www.bcrausnantai.com

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