Quando o trailer da série Netflix Baby foi lançado, houve um burburinho na imprensa italiana, já que essa é a segunda série original da Netflix produzida inteiramente por lá. E não era por conta de algum problema técnico ou no elenco, mas sim por conta de seu enredo: muitos conservadores indicaram que essa produção glamouriza a prostituição adolescente, mostrando na tela como se fosse algo que valesse a pena.
Na verdade, os seis episódios de Baby mostram como a juventude millennial, em geral, sente-se vazia, e por isso acaba encarando a prostituição como uma espécie de aventura. Esse é o plot principal, mas a série vai muito mais fundo na análise do que é ser jovem hoje em dia.
A história principal de Baby é livremente baseada em um caso real ocorrido na Itália em 2014, que ficou conhecido como “Baby Squillo”. Na época, duas adolescentes de Parioli, um bairro de classe média em Roma, foram descobertas na prostituição apenas para terem dinheiro suficiente para bancar uma vida de luxos (como roupas de grife e produtos eletrônicos). O caso repercutiu enormemente na mídia naquele momento, e as mães das garotas chegaram a ser presas.
Portanto, em Baby os roteiristas Antonio Le Fosse, Eleonora Cheats, Marco Raspanti, James Mazzariol e Rei Salvador – que formam o coletivo chamado Grams – usam essa história real como inspiração e pano de fundo para análises mais densas a respeito do que move os jovens hoje em dia.
Para dar mais realismo a essa história, seria preciso contar com um elenco à altura. Por sorte, Baby teve uma escolha de atores muito feliz, já que a mensagem é passada claramente – somente os mais reacionários conseguem ver uma apologia a alguma coisa por aqui. Liderados por Benedetta Porcaroli e Alice Pagani, que fazem os papéis principais, Baby é um retrato muitas vezes pesado sobre como uma juventude que tenta ser transgressora, sem medir as consequências de seus atos no futuro, pode levar a uma vida muito mais miserável.
Contando, portanto, com um elenco talentoso e um bom roteiro, Baby também tem uma qualidade técnica acima da média. Sob a direção de Andrea De Sica e Anna Negri, a série é muito bem composta visualmente, além de conseguir manter o suspense e a tensão em cenas-chave, que revelam muito mais do que aquilo que está sendo visto na tela. Portanto, deve-se prestar bastante atenção: há muito mais em cena do que aparenta.
Por fim, a série Netflix Baby monta todo o seu drama em cima do princípio de que as escolhas inconsequentes, que por vezes fazemos quando jovens, podem causar sérios danos em nossa vida futura. Tudo isso é mostrado com aptidão pelos produtores, e mesmo que alguns episódios tenham um ritmo mais lento, o saldo ainda é bastante positivo, sendo portanto um bom drama adicionado no catálogo da Netflix.
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Sinopse 1: Na alta classe, as aparências são tudo. Cansadas de seguir as regras, elas partem para o vale-tudo no submundo de Roma.
Sinopse 2: Cansadas da família e dos colegas da escola, duas adolescentes mergulham numa vida dupla entre o bairro nobre de Roma onde moram e o submundo da cidade.
Ano de lançamento: 2018;
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Os mesmo conservadores saem com prostitutas ajuahaha ridículo esses caras..