Poucos desenhos animados hoje tem a coragem que Big Mouth demonstra em seus episódios.

Desde a primeira temporada, a série aborda a puberdade sem filtros, expondo tudo aquilo pelo qual todos nós também já passamos. Claro, com uma dose considerável de palavrões e expressões chulas, Big Mouth não é uma animação para qualquer pessoa. Os mais sensíveis poderão se ofender.

Mas, em um mundo onde existe “South Parks” da vida, o palavreado sobre sexo não deve(ria) incomodar.

Essa série faz sucesso porque é bastante autêntica. Em sua segunda temporada, Big Mouth mantém o padrão de qualidade que já conhecemos, estendendo um pouco mais os assuntos. Afinal, na adolescência os hormônios desenvolvem o corpo muito mais rápido do que a mente, e as mudanças acontecem de uma hora para a outra. Há tanta novidade que até assusta.

A animação Netflix Big Mouth tem a proeza de mostrar isso com realismo – na medida do possível.

Um show de vergonha alheia

Big Mouth, nesta temporada, continua sendo uma metralhadora de piadas. É preciso alguma preparação antes de começar a assistir aos episódios, para não engasgar de rir. É sempre bom lembrar que boa parte de sua graça vem da exploração da vergonha alheia. E nessa nova temporada eles capricharam nesse quesito.

Por mais que você sinta um calor no rosto de tanta vergonha pelos personagens, é impossível não ter empatia por eles. São adolescentes carismáticos, sempre com alguma gracinha para dizer, mas que ainda estão tentando descobrir seus corpos em meio ao caminhão de hormônios típico dessa fase da vida. Quem nunca passou por isso?

Também vemos algumas coisas típicas desse período da vida com o qual qualquer um pode se identificar. A frustração e a sensação de solidão são traços marcantes em Big Mouth.

Personagens novos são introduzidos justamente para dar mais visibilidade a essas questões. Um deles é o chamado Mago da Vergonha, cuja voz é de David Thewlis, mais conhecido como o professor Remos Lupin de Harry Potter. Esse mago serve como demonstrativo da insegurança dos meninos, e sua aparição sempre rende boas piadas.

Entendendo a adolescência

Apesar de não parecer (à primeira vista), Big Mouth é uma série com muita coisa a dizer. E não só isso: diz tudo o que precisa de forma inteligente, com o qual as pessoas que assistem podem facilmente entender a mensagem. Além disso, essa nova temporada traz referências que todo bom cinéfilo reconhece, que vão de “Star Wars” até o recente “Corra!”, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original neste ano.

Todo esse conjunto de qualidades transforma essa segunda temporada da série em um produto único, que consegue superar a anterior e ser ainda mais completa na expiação da adolescência.

No fim das contas, o que Big Mouth quer mesmo é mostrar que todos nós, independente de nacionalidade, cor e sexo, passamos pela difícil fase da adolescência tentando entender quem somos e qual é o nosso lugar no mundo. Seus personagens se questionam a respeito da sexualidade o tempo inteiro, mas essa discussão traz em si uma profundeza maior. É um desenho aparentemente mal feito, mas com uma capacidade de empatia gigantesca por conta do seu roteiro esperto e sempre interessante.

Big Mouth pode não ser para todos os gostos, mas aqueles que conseguirem enxergar o conceito por trás trás dos palavrões e piadas sexuais, vai descobrir que ela é uma das melhores animações contemporâneas.

Recomendamos também que conheça Sex Education Netflix, uma série que trata a sexualidade humana de uma forma séria, divertida e criativa. Veja também a animação Tuca e Bertie.

Trailer e informações da animação de comédia Netflix Big Mouth

Sinopse 1: Hormônios em fúria, corpos fora de controle, romances complicados: chegou a puberdade. E ela é uma fera indomável.

Sinopse 2: Uma turma de amigos vive ao sabor das maravilhas e horrores da puberdade nesta comédia dos amigos Nick Kroll e Andrew Goldberg.

Idioma: dublado (com opção de áudio original em inglês, e legendas em português);

Classificação etária: 16 anos;

Ano de lançamento: 2017;

Gênero: Animação adulta, Comédia, Non-sense;

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