Teorias Bird Box – Apego, Controle, Solidão, Loucura e o Desconhecido

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Primeiramente, queria avisar que este post sobre Bird Box está inteiro cheio de spoilers, pois vou me permitir filosofar um pouco abertamente (assista o filme). Tudo aqui é mera interpretação, por isso não me preocupo sobre os lemas de verdade ou mentira. O intuito deste post é só ligar pontos plausíveis ou simbólicos que bateram fundo. Afinal de contas, a comunicação por símbolos sempre acaba sendo algo acima do verdadeiro ou falso, sendo assim, singelos símbolos.

Eu particularmente gostei muito das questões e sugestões que o filme Netflix Bird Box levantou e, se quiser fazer alguma contribuição, sinta-se a vontade deixando um comentário ??.

Bird Box e o apego oculto

No filme Bird Box foi estabelecida uma ameaça dramática focada na espécie humana. Não se trata de um mal que atinge a todas as pessoas, mas sim apenas um determinado tipo: os considerados “normais”. Animais, objetos, comida, água, nada disso aparentemente é afetado (de forma mortal) pela Entidade maligna.

Mas o intrigante é que pessoas loucas também  não são afetadas. Agora pense comigo: qual a principal característica que difere um louco de uma pessoa normal? Falta de limites, certo? Com isso vem a ausência de apego e ausência de medo do desconhecido.

Algo sendo ilimitado tem a disposição de se abrir por completo, não tendo nenhum controle ou freio. Pense na nossa inteligencia como uma gota de chuva. Ela pode ser controlável e vez por outra se assimila com outra gota, tornando-se um pouco maior. Assim vamos de gota em gota aumentando nossa mente. Agora imagine se essa gota como chuva cair num rio com fluxo impiedoso. Já não seria mais uma gota… Perdeu-se o controle ou qualquer identidade e estabilidade. A coisa agora é parte de algo maior e só segue o fluxo como um todo. Pode até haver uma resistência em restabelecer o controle no inicio por parte daquela gota, mas a concessão a este novo modo é iminentemente obrigatória.

Ao se estourarmos algum limite cognitivo só é possível continuar mais fundo se houver entrega (que seria o caso dos loucos, que olham para a Entidade e acham lindo, querendo que todos vejam). Caso contrario, somos corroídos por uma auto destruição natural pelo fluxo excessivo de consciência (é o que acontecia com todo o resto que se suicidava). A necessidade de jogar fora tudo que já não serve mais é extremamente complicada e faz parte do “contrato” da viagem ao desconhecido. Nós temos o padrão de nos focar muito no passado, nas perdas. Existe um looping de repetição pontuando tudo o que foi perdido. Sem contar o comparador interno que está ativo o tempo todo tentando nos mostrar o que falta em comparação a tudo. Esses processos machucam todo ser humano a fundo.

Pois então, no filme Bird Box um louco foi como uma gota que, por seguir sua curiosidade, acabou em um rio. Em busca de conhecimento, quanto mais se desce na toca do coelho mais mutante se torna, se transformando a cada esculpida nova. É um caminho sem volta, e nunca mais será como antes. Uma cabeça que se entrega a todas as possibilidades não consegue mais se apegar a nada porque o fluxo é tão grande que se torna impossível. O conceito ao pé da letra “ser cabeça aberta” é um mito, pois muitos que são considerados assim só aumentaram um pouco seu limite de absorção. Mas, ainda assim, sua sanidade impõe uma linha tênue. Fora disso, já torna-se louco.

Com isso, no filme Bird Box temos um predador que é nocivo apenas às pessoas que têm algo a perder. A ideia do suicídio talvez seja porque o choque de revelação fosse tamanho que a pessoa não suportasse perder suas estruturas. A forma explosiva de confusão gera ações extremas.

Outro ponto a refletirmos sobre a Entidade é que: talvez seja como um espelho contendo todos os nossos monstros internos, monstros que estavam ali ignorados só esperando serem liberados. Em uma cena mostra uma mulher remoendo uma culpa com relação a mãe já falecida. A culpa é um tipo de apego, e o rancor também é. Todos nós temos algum motivo para não o deixarmos ir. Como se mante-los fosse uma garantia de crédito a nosso favor em algum julgamento, despertando assim alguma concessão em quem vier a nos julgar. Afinal, poucos resistem ao coitadismo, né?

O mal que ninguém quer ver

Todos nós, como seres humanos, somos debilitados. Rejeitar a realidade e tentar molda-la é a estratégia que adotamos. Para nós, as fatalidades, acidentes, rejeições, são difíceis de lidar. Enquanto a natureza busca seus desastres necessários para o equilíbrio, nós queremos evitá-los desconsiderando as anomalias maiores que possam vir como consequência. Queremos parar o tempo para obter nosso conforto. Interrompemos evoluções, espécies, habitat, climas (acelerando o efeito estufa), e tudo isso em nosso beneficio. Queremos sempre ter, mas nunca pagar. “Natureza me dê! Jamais tire de mim!

Então, nesse sentido de controle, o mal acaba sendo o que nos faz perder algo. Não é à toa a importância de algumas pessoas em nossas vidas, por isso a morte acaba sendo muito temida: o apego ao outro e a si próprio é um problema quase sem solução. A cura disso, ao meu ver, estaria na fé verdeira ou na loucura. Ambas tem em comum a total entrega.

A Entidade do filme Bird Box entristecia profundamente todas as pessoas normais, mas por outro lado deixava os loucos felizes. O comportamento dos loucos nos remete ao possível fato de que já tiveram algum preparo para ver aquilo. Esse preparo poderia ser seus anos de loucura. Talvez por sentirem que já viram antes, gere a motivação em fazer com que todos vejam. Como se falassem “Ta vendo? Eu estava certo! Veja! Se purifique!“. Nenhum deles temeu por sua própria vida. Tinham aceito o fluxo dos acontecimentos mesmo ao serem feridos.

Alem do apego, existe o medo supremo, que é o medo do desconhecido. Um autor muito famoso que explorou muito esse tipo de terror é o H. P. Lovecraft, inclusive esta Entidade de Bird Box poderia vir a ser baseado em algum monstro lovecraftiano: uma coisa muito diferente que não conseguimos codificar ou descrever gera uma paralisia, aterrorizando a pessoa. Seria o ápice da confusão.

O filme Matrix ilustra muito sobre essa nossa necessidade em viver sob um limite. A exemplo temos o personagem Cypher, que ao saber a verdade sobre a realidade se arrependeu em conhecê-la, e passou a desejar antiga ilusão da ignorância ao fazer o acordo com as sentinelas. Isso mostra como a ignorância pode ser uma benção confortável, às vezes. A aberração de Bird Box poderia ser como uma espécie de “pilula vermelha”, que revele uma realidade ampla. Talvez até uma beleza incompreensível e aterrorizante. Talvez, por vir de forma repentina, resulte no suicídio.

Não há nada mais aterrorizante que o desconhecido total. Nós conseguimos conceber coisas estranhas apenas seguindo preceitos de coisas que já conhecemos. É como um cego tateando alguma coisa: você descreveria o que toca com base na sua biblioteca interna de referencia. Algo totalmente sem referencia vai contra tudo o que se acredita ser real, e é capaz de gerar um colapso mental do tipo que vimos em Bird Box com as pessoas se suicidando ao olhar para a Entidade.

Se pararmos para pensar na ideia de “demônio”, “diabo” e todas essas criaturas, isso nos mostra um caminho ruim, certo? Pois tudo que não conhecemos, consideramos ruim. Talvez anjos que viraram demônios só quisessem inovar um pouco e passaram dos limites aceitáveis da consciência humana. Não estou dizendo que a maldade não existe… Ela existe. Porém acaba sendo relativa. Uma aparente praga na natureza que só quer sobreviver pode ser vista como “má” pelas plantas afetadas. Se a galinha fosse humanizada, por exemplo, ela veria os seres humanos como demônios sádicos distribuidores de maldade gratuita. A real é que nos colocamos acima de tudo, querendo estar no topo da cadeia alimentar, acima da natureza, acima do tempo, acima da razão, etc…

Muitas vezes a vontade de fazer mal é para externar algum mal que lhe foi feito anteriormente. No trailer do filme Netflix “Sementes Podres” um personagem cita a seguinte frase: “não esqueça que uma criança que causa problemas é uma criança COM problemas“. A natureza está sempre tentando equilibrar as coisas, e essa força é maior que tudo.

Controle

A visão nos proporciona uma ilusão de controle muito forte. Tentamos sempre prever tudo, e a visão é uma ferramenta muito importante para se preparar para algo. As vendas nos olhos acaba simbolizando descontrole, porque com ela o indivíduo fica totalmente vulnerável com apenas a fé de que está protegida.

Na parte onde a protagonista Malorie (interpretada por Sandra Bullock) sai do barco, deixando as crianças em busca de um novo cobertor e suprimentos, mostra-nos a disposição de uma coragem incrível. Pois além da Entidade, trilhar em um terreno selvagem sem ver nada torna-a vulnerável a inúmeros perigos naturais. Quando ela já esta dentro do estabelecimento e tira seu carretel de linha-guia, algo o puxa. Poderia muito bem ser algum animal selvagem que enroscou nela. Aquela fé em sair daquela forma rapidamente foi uma atitude bem corajosa, pois poderia muito bem ser um grande felino que a atacaria facilmente.

A venda também poderia representar um pouco da pílula azul de Matrix, onde você quer continuar acreditando no que bem entende, mantendo segura sua identidade e modo de vida conhecido. Além disso, reter a própria curiosidade mesmo com ameaça de morte é algo bem complicado.

Relembre abaixo a cena das pilulas em Matrix.

Incapacidade de se conectar

Logo no começo do filme Bird Box há um trecho importante onde mostra a pintura em que Malorie está trabalhando. Nesta cena é apresentado muito sobre seu problema, que será desenvolvido no decorrer da trama: Malorie tem dificuldades para se conectar com as pessoas, e por isso consegue enxergar isso na sociedade. Sua irmã Jéssica teve a impressão de solidão ao ver as pessoas na pintura, e foi quando Malorie explicou que se tratava do problema que os seres humanos têm de se conectar. Jéssica então apresenta uma solução para essa sua dificuldade e sugere que agora com filho a conexão surgirá naturalmente. O legal é que no decorrer do filme é apresentada a forte ligação que ela estabelece com as crianças.

Todos somos uma ilha em alguns níveis. É triste ver festas de final de ano onde todos tentam se reunir e mesmo assim ainda perceber gente emanando solidão. Para acabar com a solidão, nem sempre o remédio são pessoas. Mas sim estratégias para estabelecer conexões mais fortes (com os outros, e consigo mesmo).

No decorrer de Bird Box é mostrado a evolução da protagonista com relação ao seu problema de conexão. E essa nova descoberta de si a motivou a correr grande risco ao enfrentar o rio. O fato de não ter dado nome para as crianças e ter se incomodado com a história que estava sendo contada a elas mostra como sua fé no futuro era fraca. Essa visão de futuro foi mudando à medida que ela foi aprofundando em sua jornada.

Na música “Alívio Imediato”, dos Engenheiros do Havaí, tem o seguinte trecho:

O melhor esconderijo, a maior escuridão

Já não servem de abrigo, já não dão proteção

É incrível como às vezes a escuridão tem o propósito de ser abrigo. Em qualquer perda as pessoas se abrigam na escuridão da tristeza. Um lugar confortável para liberar, sem luz, sem julgamento, sem palco. Em um cenário apocalíptico, o melhor esconderijo e a maior escuridão já não servem de abrigo já não dão proteção.

Mas então, sobre os problemas de conexão que temos, ainda na mesma musica tem o seguinte trecho:

Há um muro de concreto entre nossos lábios

Há um muro de Berlim dentro de mim

Tudo se divide, todos se separam

(Duas Alemanhas, duas Coreias)

Tudo se divide, todos se separam

Um muro de concreto entre o ego e a necessidade. O controle nos faz ponderar, limitar, suprimir, nos enganar. A vergonha é a rainha da repressão. É como uma personagem interna cujo único objetivo é nos colocar sob alguma regra externa. É a melhor e mais rígida professora de teatro que carregamos para a vida toda.

Teorias sobre a Entidade (o monstro) de Bird Box

Existem algumas hipóteses que eu vi por aqui sobre o que as as Entidades (pois parece mais de uma) podem ser:

  • BiowarFare Químico;
  • Alienígenas;
  • Histeria Psicossomática;
  • Seres Interdimensionais
  • Seres Espirituais;
  • Monstros Lovecraftianos;

No jogo Bloodborne, que é muito inspirado em criaturas de H. P. Lovecraft, existe uma mecânica no visor do jogo (HUD) chamado “discernimento”, que é um ícone de um olho. Quanto maior for esse atributo (numericamente), mais sanidade para ver coisas ocultas você tem, e o jogo fica mais difícil.

Em tese, quanto mais discernimento se possui, mais as coisas podem vir a ser reveladas aos poucos. Então, seria como se para conseguir apenas ver coisas em volta (que já estavam lá o tempo todo), você precisa de nível alto de discernimento. Isso se assemelha muito com o filme Bird Box com o fato das pessoas “sem discernimento” terem um colapso nervoso e se matarem.

Veja abaixo sobre a descrição de um dos itens que dão discernimento em Bloodborne:

Imagem de discernimento do jogo bloodborne

Para viajar nesse universo do desconhecido recomendo muito que veja os vídeos abaixo do pessoal do Nautilus:

Outro jogo que Bird Box me lembrou foi Beyond: Two Souls, e as entidades malignas interdimensionais:

Acredito mais que eram monstros do tipo Lovecraftianos, que sempre estão presentes no mundo, porem só não são percebidos. Talvez fosse uma junção de histeria psicossomática em um momento que despertou a ira de criaturas naturais que estavam ali como guardiões do equilíbrio.

Para quem não se importa em ler artigos em inglês, recomendo o texto abaixo sobre algumas teorias do filme Bird Box:

5 Theories About The Creatures in BIRD BOX

Se você conhece o game Bloodborne e gostou, confira o vídeo/poesia abaixo que criamos:

Perguntas intrigantes e teorias de Bird Box

Colocamos abaixo algumas perguntas e teorias sobre o filme Netflix Bird Box. Convidamos você a criar suas teorias também (ou dúvidas e curiosidades) e compartilhar nos comentários. 😉

  • Será que, se as crianças olhassem para a Entidade, elas se matariam? Se a teoria de que a entidade é um “espelho interior”, talvez a pureza das crianças fizesse com que não tivesse o mesmo resultado;
  • Por que as Entidades não entravam nas casas, nem nos carros, nem sob o cobertor dentro do barco? Possivelmente, apesar de parecer abstratas, tinham características físicas e não etéreas como é o caso de fantasmas. Isso fica evidente quando eles estão dentro do carro com sensores de proximidade;
  • Qual era a aparência que os loucos viam quando olhavam para as Entidades? Não tem como termos certeza, já que não foi mostrado em momento algum. Porém é possível ver diversos desenhos macabros do último integrante que matou todo o grupo da casa. Aquelas imagens possivelmente era o que aquele personagem em específico enxergava (não necessariamente a aparência real da Entidade);
  • O que aconteceria se uma equipe de cientistas prendessem uma pessoa (para que não cometesse suicídio) e a fizesse olhar para a Entidade? Será que o efeito passaria dentro de algum tempo? Como não tivemos nenhum exemplo de uma pessoa “normal” que teve contato sem cometer suicídio, não temos como ter certeza se aquele efeito era ou não passageiro. Os loucos estavam daquela forma (com os olhos alterados) há muito tempo porque tinham contato frequente com a Entidade. Mas é possível que uma breve exposição, seguida de algum tipo de tratamento psicológico viesse a funcionar. Em outras palavras, ao se retirar o elemento causador do problema, a pessoa poderia vir a normalizar dentro de certo tempo, caso não se matasse antes.
  • Caso a 1ª teoria apresentada (sobre espelho interior) não esteja correta (e as crianças também cometessem suicídio), o que aconteceria se bebês olhassem para a Entidade, considerando que eles não têm autonomia o suficiente para cometer suicídio? Talvez entrassem numa compulsão de choro histérico até que acabassem perecendo por falta de líquido ou alimento (o choro compulsivo os impediria de se alimentarem, ou os faria vomitar, causando a morte por inanição em algum momento). Ou, caso a teoria acima (sobre ausência do elemento causador do problema) esteja correta, é possível que dentro de algumas horas (ou dias) os bebês voltassem ao normal;
  • A Entidade não aparecia imediatamente após abrir os olhos. Então por que eles não davam rápidas espiadas para se localizar? Quando Tom, o companheiro de Malorie, retirou a venda para proteger ela e as crianças, notamos claramente que demorou um tempo até que a Entidade o dominasse. Ele conseguiu alguns segundos para atirar em todos os loucos que estavam atrás deles, e só no fim viu a Entidade. Acontece que os personagens que vimos não tinham como ter consciência disso. A aproximação da Entidade era perceptível somente para nós espectadores. Na crença de todos os outros personagens, bastava olhar para morrer.

Conclusão

Eu gostei muito do filme Netflix Bird Box, principalmente pela forma como tudo foi apresentado e como me fez viajar. Acho que se um filme é bom ou não, depende muito de como ele nos afeta.

Foi uma jornada bem intrigante e prazerosa. Minha mente não parava de questionar, e foi gerado em mim uma ansiedade típica de quando estamos muito curiosos.

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Sobre o Autor

Administrador do blog Interprete-me, Jerry D. Blodgett tem paixão pela literatura subjetiva e os estudos da filosofia e psicologia. Sempre que possível, faz pontes entre a reflexão interior e o entretenimento.

13 thoughts on “Teorias Bird Box – Apego, Controle, Solidão, Loucura e o Desconhecido

  1. Assisti o filme ontem e achei bem interessante. Como engenheiro que sou após os acontecimentos iniciais na casa, as câmeras e os sensores de proximidade imediatamente divaguei “porque nao remover o sistema de detectores do carro e fazer uma espécie de capacete – radar pois a tradução proposta pelo rapaz do monitor me parece que funcionaria se a “tradução” de imagem fosse bruta o suficiente i.e. detectar coisas e ativar outros elementos sensoriais como o display de proximidade do carro. Evoluindo daí, até mesmo construir sistemas especialistas para preceber as entidades sem ser afetadas pela imagem. Diria que seria possível extrair linhas outras de desenrolar do filme, pois daí vemos que militares cientistas, e outras mentes pensantes numa população de bilhões de pessoas simplesmente pereceram junto? Mas, é outra linha criativa. 🙂

  2. Excelente filme. Assisti hoje de tarde e fiquei um bom tempo refletindo sobre essa obra que na verdade é uma grande metáfora. Uma das coisas que me intrigou foi que mesmo as entidades significando problemas ou coisas da vida real, elas tem que ser algo, mas pelas características que foram fornecidas apenas pelo filme, nao pude correlacionar com nenhum ser ou energia que conheço de livros, filmes, histórias e jogos. A teoria dos lovecraftianos foi a que mais me pareceu convicente.

  3. Esse filme foi trabalhado em muitas frentes, o que era para ser múltiplos níveis de linguagem, como a Ilha do Medo e a Origem não foi atingido. As ideias centrais como apego, relacionamentos abusivos, traumas o (ego-cavalo-equilíbrio) que somente aparece para três personagens, trás a idéia de adoecimento coletivo, penso que cada história desde o personagem narcísico que perde a esposa e não é inoculado em nem um momento até sua morte, estava imune pelo excesso de racionalidade, e por não se misturar emocionalmente com os demais, o mesmo problema da Malory e da irmã que vivenciaram um pai abusivo/narcisista.
    O Tom, claros sintomas de estresse pós traumatico/ Ex combatente, essas pessoas conseguem se comunicar entre si sem se relacionar, e a suposta imunidade era conseguir não se misturar com o inconsciente coletivo.
    Penso que a Metáfora tem a ver com os dias atuais, temos aceso a toda informação que conseguimos absorver, os nossos olhos veem demais ( A entidade é o nosso bit brother do cotidiano, redes sociais) É como aquelas pessoas que tem olhos, enxergam mas não veem, suspeito que estejamos caminhando pra uma situação parecida com a falta de percepção de mundo real na atualidade. A escola pra cegos funciona no nível em que precisamos aprender novas percepções, logo só sobrevivia quem aprendia a ver sem os olhos, lembram do treinamento intensivo da Malory e das crianças com a venda?
    Bem, quem sobreviveu foram aqueles que aprenderam por deficiência ou necessidade de sobrevivência desenvolver outras percepções.
    Quanto aos loucos, minha teoria é que foram somente a ponte entre o mundo onírico e o real, meio desconectada, mas verossímil.
    E finalizando, a Malory tinha medo de amar, em função da infância terrível, mas não se fragmentou em momento algum, logo o potencial de amor dela foi mantido intacto por anos, sem se apegar, daí o pânico de ter um filho, o único que ela pode dar em 5 anos foi proteção extrema, e quando ela pode por fim relaxar ela sabia que podia viver esse amor lindo e incondicional que é o amor de mãe, mãe leoa no caso.
    Dizem que cada um de nós busca nosso próprio referencial de mundo para encaixar novas aprendizagens. Então assim entendi.

  4. “O que aconteceria se uma equipe de cientistas prendessem uma pessoa (para que não cometesse suicídio) e a fizesse olhar para a Entidade? Será que o efeito passaria dentro de algum tempo?” No início do filme quando Malorie está no hospital, ela vê uma mulher batendo a cabeça no vidro, mas logo após isso quando ela começa a correr vemos pessoas segurando aquela mulher… Será que eles não conseguiram prendê-la para entender o que estava acontecendo e estão guardando essas informações para o segundo filme onde vai mostrar a origem dos monstros, como eles chegaram na terra e o crescimento das crianças junto da vontade de resolver esse problema pós apocalíptico na terra?

  5. Se a entidade tem forma porem não vísivel por que apareceu a sombra de um homem grande na camera quando o japonês estava testando pra ver se funcionava? Se a luz atravessa não há sombras, se a luz não atravessa, o ser deveria ser vísivel.

    O que aconteceu com o casal que roubou o carro? O diretor cagou para eles?
    / \
    || Um pouco a respeito disso acima, um breve comentário abaixo.

    A mulher era uma policial, foi construída uma imagem de que ela era de boa índole, pois quando o careca falou que eles poderiam ficar ali na loja mesmo ela, Malorie e os outros se opuseram a tal decisão. Daí, passa uma cena, o personagem é totalmente desconstruído a ponto de roubar um carro. Era tipo assim, esperava isso do careca e não dela me entendem?

    1. Antes que falem, poderia ser a sombra de um louco na camera.

      2 coisas, olhem o tamanho da sombra, e se fosse um louco cara não iria sofrer o efeito que o levaria ao suicidio.

  6. Opa, gostei muito do artigo. Só estou passando para dar uma interpretação um pouco diferente, mas não melhor ou pior. Afinal, aplicamos a subjetividade do jeito que bem entendermos, na verdade.
    Indo ao ponto, a minha teoria é o suicídio representa a dor em conhecer a Verdade, que é representada pelas criaturas sombrias. As criaturas perseguem os personagens e até mesmo sugiram para que olhem essa verdade, mas eles estão de olhos cobertos, pela venda que simboliza a ignorância e o medo de conhecer algo diferente do que poderia aceitar como Verdade própria, causando o suicídio. Os loucos são imunes pelo mesmo motivo da sua teoria: eles não têm essas barreiras que os seguram a orgulho, senso comum ou valores culturais, algo que permite não somente que eles aceitem a verdade, como apreciem-na.
    Essa verdade não necessariamente é algo ruim em si, somente algo diferente demais da visão dos personagens “normais” para ser aceito ou compreendido por eles.
    Isso aí espero que tenha gostado das minhas ideias loucas. Valeu!

  7. O filme, acredito, pode ser entendido como uma alegoria. Uma metáfora sobre uma pessoa que se encontra desconectada da realidade.

    Tudo acontece dentro da mente da personagem principal. Ela demonstra certa aversão ao contato com outras pessoas. Penso que tenha sofrido algum tipo de violência física, emocional, que desencadeou um trauma profundo. Durante o desenvolvimento da trama ela então se vê obrigada a lidar com diversas versões de si mesma e de seus medos, em um constante conflito de identidade. Seus piores pesadelos e frustrações são representados pelos diversos personagens com os quais interagi. Sua relação mal resolvida com o pai; seu medo em assumir um novo relacionamento, amor; sua insegurança em ter que cuidar de um filho; o terrível trauma físico, emocional;

    Já no início, os diversos quadros que ela pinta, apontam para uma dissociação emocional. Pouco se é falado a respeito do pai do filho que espera. Talvez seja ele o responsável pelo episódio que desencadeou o trauma profundo em que ela se encontra. Uma violência que tenha sofrido, um abuso.

    Surge então a figura da irmã, que parece representar proteção, cuidado, segurança. Em sua fuga do hospital, quando chegam à casa, a irmã se atira em frente a um ônibus. Ela perde então aquilo que lhe dava um certo conforto, segurança, controle.

    De repente é acolhida por uma mulher que a abraça carinhosamente e tenta ajudá-la a entrar na casa. Aqui parece ser a figura da mãe, possivelmente morta. O marido desta mulher, a culpa pela morte da esposa. Seria seu pai a culpando pela morte da mãe, que penso ter ocorrido no seu nascimento, no parto.

    Na casa encontramos o jovem casal, que vencidos pelo desejo, não conseguem controlar seus impulsos. Estes fogem demonstrando um desejo egoísta e selvagem, além de irresponsável. Uma referência talvez aos desejos reprimidos de sua juventude.

    Temos a grávida que, fora de um determinado padrão físico social, acredita no amor verdadeiro e em contos de fadas. Se vê amada e protegida pelos pais e marido, todos ausentes. Uma versão distorcida que a personagem principal faz de sua própria imagem.

    Existe também o nerd que escreve sobre o caos e um possível apocalipse. Aponta diversas teorias de conspiração e demônios de diferentes culturas. Este revela sua insegurança sobre o futuro sombrio que teme, talvez reflexo de ensinos religiosos de sua infância .

    A figura do homem que a ajudou a entrar na casa e pelo qual, no desenrolar da trama, se apaixona, parece idealizar, apontar para a busca de um parceiro ideal e perfeito. Alguém que busca tirá-la deste pesadelo e trazê-la de volta a realidade. Seu herói que falha no processo. Os diálogos entre os dois parece confirmar essa ideia.

    As duas crianças seriam ao mesmo tempo o sentimento de rejeição e amor que ela nutre em relação ao bebê que carrega e que, talvez possa ser o fruto de um abuso sofrido. O parto de ambos ajudam a confirmar esse pensamento. Ambos nascem quase que simultaneamente. Um porém sem dificuldade enquanto o outro exige esforço.

    Os loucos na verdade seriam todas as pessoas que tentam ajudá-la no processo de análise e enfrentamento desta realidade terrível da qual ela insiste em fugir. Psicólogos, psiquiatras, amigos, família.

    Os pássaros podem representar drogas, que lhe ajudam a não ter de encarar seu medo. São utilizados em momentos de forte tensão, quando ouve, percebe os monstros.

    Já estes, os monstros, seriam o reflexo do medo que ela tem desta realidade. Por isso ela insiste em não ver, não olhar. É horrível, causa medo. Não está pronta para isso.

    O santuário por fim, é um lugar para internação e tratamento. Note que neste local surge novamente a médica que lhe atendeu no início do filme. Toda a sua jornada a leva exatamente para o mesmo local do início. Um centro de tratamento médico. Ali ela pode deixar seu filho e encontrar descanso para sua mente.

  8. O texto é incrível. Quem foi que fez? É possível entrar em contato com a pessoa? Vocês trabalham com o quê? Esse site tem uma equipe de escritores? Gostaria de saber como o autor ou autora do texto adquiriu esse conhecimento, qual seria sua formação, se trabalha com crítica de filmes, livros, psicologia, filosofia ou se este trabalho é feito por hobby. Não consegui muitas informações pelo site. Quero dizer que está de parabéns!

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