Bullying: por que nos ofendemos com comparações? Exemplo Ator de Bandersnatch

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Recentemente, o ator Will Poulter (veja twitter dele), que interpretou o programador de jogos Colin Ritman no original Netflix Black Mirror Bandersnatch, anunciou que irá se afastar um pouco das redes sociais por problemas com os constantes comentários e comparações sobre sua aparência.

Por este motivo  queria aproveitar para levantar a questão do por que meras comparações podem ser ofensivas o bastante para serem consideradas bullying.

 

Citação traduzida de Will Poulter:

Estou tendo problemas com isso há algum tempo e, devido a minha saúde mental, acho que chegou a hora de eu mudar a forma como eu me relaciono com redes sociais.

O problema com aparência, por incrível que pareça, afeta todo mundo. Existe uma necessidade de empalhar-nos na ideia de sermos originais e únicos, por isso que comparações são fontes de paranoias, mesmo às vezes sendo inferidas como elogio. Ainda assim, pode acabar ofendendo.

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No meu caso, sempre que houve o impulso de falar a alguém próximo algo como: “Nossa, essa pessoa me lembrou você“, isso quase sempre gerou um efeito negativo na outra pessoa. Parece que surge uma necessidade de escanear os defeitos da pessoa com a qual fora comparada, assimilando a si e ignorando todas as possíveis coisas boas que talvez de fato fosse alvo de quem evocou a comparação.

De certa forma, receber um mísero feedback em forma de comparação sobre a gente pode ser tenebroso. Porque aí entra a incômoda certeza de que a imagem que escolheu mostrar é diferente daquilo que estão vendo, e isso sai muito do controle previsto.

Will Poulter não é feio mas, assim como todo mundo, tem suas inseguranças. Com a popularidade vinda de Black Mirror Bandersnatch, alguns de seus pontos fracos acabaram sendo atingido a esmo por inúmeras flechadas dos usuários, com ou sem intenção de machucá-lo, gerando assim uma necessidade de afastamento.

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A projeção e manutenção de nossa imagem

Existe uma necessidade natural de manutenção frenética de nossa imagem. Observei que muitas pessoas costumam idealizar exatamente o “como” cada individuo a vê. Por este motivo, às vezes juntar-se em grupos que reúne muitos conhecidos pode ser uma aflição tremenda. Isso porque, algo que se escolheu mostrar a uns, não costuma mostrar a outros (para cada grupo de amigos/familiares temos uma persona diferente, é natural do ser humano). E isso na sua mente pode gerar um colapso paralisante em não saber como agir.

Existem as pessoas desencanadas que possuem uma grande força de não se importar com o que os outros vão pensar. Sendo assim, conseguem ser elas mesmas e economizam energias obtendo certa paz. Porém, mesmo uma pessoa muito bem resolvidas acaba caindo nesse ciclo em algum momento. Vai chegar um determinado tipo de relacionamento na vida onde precisará “se vender” (trabalhar sua imagem no intuito de agradar alguém – você verá mais sobre isso adiante).

Tudo depende do quanto acha que os outros podem lhe tirar ou proporcionar. O interesse próprio é o que define o grau de energia a ser utilizada na sua “venda” como pessoa. Sem ego e o jogo de perder ou ganhar, não haveria necessidade de controlar nada.

Mas, né… Somos humanos…

O Cyber Bullying vs Bullying Presencial

Na série “Eu e o Universo“, da Netflix, vemos logo no primeiro episódio um teste bem interessante que reproduz o cyber bullying. O experimento revela como as pessoas se portam de forma totalmente mais respeitosas quando estão cara a cara. A mecânica do teste consistia em mostrar um vídeo onde uma menina cantava mal, e colocar dois grupos de pessoas para avaliá-la com notas e comentários.

Ao primeiro grupo foi dito que suas ressalvas poderiam ser lidas diretamente para a cantora. Ou seja, isso tiraria qualquer possibilidade de anonimato. Já para o segundo grupo foi garantido que, independente de suas notas e comentários, ficariam no anonimato.

Imagine só: o grupo dos anônimos foi bem cruel e venenoso. Porém, quando os pesquisadores trouxeram a cantora na frente deles, quase não se cabiam de vergonha. Claro que não leram exatamente o que escreveram nos comentários, porque agora suas imagens estavam em jogo.

Isso se dá por causa do que foi rotulado por cientistas como “efeito de desinibição online”, que inclui proteções do tipo:

  • Você não pode me ver;
  • Você não me conhece;
  • É só uma brincadeira;
  • Não é meu verdadeiro eu;

Confira o trecho em vídeo, logo abaixo:

Vendemos nossa imagem

O conceito de venda é interessante, porque você está de certa forma querendo agregar valor a algo que muitas vezes não quer mais. Sabemos de nossos defeitos, e escondê-los muitas vezes é necessário. Então, passar uma imagem boa remete em créditos para ser usado em algum outro momento.

No caso de Will Poulter pode ter despertado aquela angústia de não querer que certas pessoas o vejam como a internet esta mostrando. Essa vergonha de sua própria imagem, vinda da visão alheia, pode afetar sua auto-estima desde uma possível paquera até negociações importantes de trabalho. Veja, por exemplo, youtubers que usam máscaras (como o Rato Borrachudo) justamente para não afetar sua imagem com outro grupo mais sério em sua outra profissão.

Mas o pior é quando a brincadeira nos faz sentir um lixo sem valor. Nos vendermos (no intuito de trabalhar nossa imagem na visão dos outros) é a tarefa mais difícil do mundo! Não existe comprador mais exigente que nós mesmos. Você pode ser um jardim lindo, foco de muito elogios, porém quando alguém nota algo que está embaixo da terra e a gente dá muito foco a isso, a coisa complica.

Queremos que vejam as flores, não o esterco que colocamos de adubo. Ali embaixo da terra é normal ter insetos e lixos. Então, se alguém o faz focar no lado feio, isso pode acabar matando tudo que antes florescia.

No fim, temos que tomar muito cuidado com as comparações internas e externas que fazemos. Isso pode nos mostrar às vezes medidas interpretativas que não passam de ilusões, mas acabamos materializando. É o mesmo quando tentamos uma determinada profissão sem muito sucesso, mas aí vemos outra pessoa arrasando. Ao comparar o palco do outro com seu bastidor, poderá se destruir por dentro. Porque quem está se apresentando bem, com certeza ralou muito e teve um bastidor que até talvez tenha vergonha de compartilhar.

Então, nunca compare os seus bastidores com o palco do vizinho, porque isso cria um desnível brutal na percepção do que se é capaz. A comparação é, em geral, problemática quando não aplicada de forma justa.

Deixe seu comentário e me diga o quanto as comparações lhe afetam.

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Administrador do blog Interprete-me, Jerry D. Blodgett tem paixão pela literatura subjetiva e os estudos da filosofia e psicologia. Sempre que possível, faz pontes entre a reflexão interior e o entretenimento.

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