DAKAICHI – I’m being harassed by the sexiest man of the year Crítica

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On 10 outubro, 2018
Last modified:18 outubro, 2018

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O nome do anime é DAKAICHI – I’m being harassed by the sexiest man of the year. Um título relativamente grande, não? Também pode ser visto por aí como Dakaichi – My Number One.

Sem conhecer o mangá, me aventurei no primeiro episódio do anime Dakaichi, que foi ao ar pela Crunchyroll na última sexta-feira, dia 05/10. O que me chamou a atenção foi, inicialmente, a capa. Dois rapazes (lindos, diga-se de passagem) brigando por um número “1”.

dakaichi im being harassed by the sexiest man of the year my number one yaoi boys love gay 01E depois de ler a sinopse isso fez sentido…

Takato Saijyo é um ator veterano que ganhou por cinco anos seguidos o prêmio de “Solteirão Mais Desejado”. Junta Azumaya é um ator revelação que o destronou na última premiação. Estes dois partidões se envolvem num escândalo proibido, que fica ainda mais perigoso no mundo traiçoeiro da indústria de entretenimento.

O protagonista de Dakaichi, Takato Saijyo, é o tipo de ator super popular, gatíssimo, e a pior parte: ele está plenamente consciente disso. É aquele tipo de personagem que de cara você já se apaixona pela aparência, e baba por aquela personalidade ácida, repulsiva e ao mesmo tempo cativante.

Tem como ser repulsivo e apaixonante ao mesmo tempo? Bom, Saijyo consegue. Arrogante, narcisista, egoísta e talentoso, ele já entra com aquele ar que faz fujoshis e fudanshis sentirem uma maldita flechada no coração. 😍

dakaichi anime yaoi my number one boys love gay 01

É… Afinal, se apaixonar logo de cara por um homem complicado assim dói. 💘

Mas existem alguns poréns a respeito do anime Dakaichi. Alguns detalhes que fazem com que ele infelizmente permaneça no limbo do “mais do mesmo”…

Falarei sobre isso.

Seme faminto, uke bravinho e indefeso

Seme: o ativo no sexo / Uke: o passivo no sexo

(para mais termos, recomendo o Dicionário Yaoi)

Até o momento do encontro de Takato Saijyo com o “novo número 1” (que é Junta Azumaya), temos apenas nuances da personalidade do protagonista. Após esse encontro é que as coisas começam a esquentar. E falo “naquele sentido”, mesmo.

dakaichi anime yaoi my number one boys love gay 03A interação que aproxima os dois quase não é mostrada (nem no anime, nem no mangá). Abruptamente já somos jogados a uma cena dos dois na cama, e a reação mais normal é “O QUE? MAS JÁ?” 😱, porém logo entendemos que nada aconteceu. Ainda.

Em vez de o relacionamento se desenrolar de uma forma mais sutil e natural, o padrão “seme faminto sem auto-controle” toma conta. É claro que este princípio é interessante para quem está chegando agora no mundo dos yaoi/boys love, porém para quem já conhece o gênero há 15 anos isso já é batido e até enjoativo. Se ocorresse em poucos títulos, tudo bem… Mas o molde “seme excitado abusando do uke indefeso” é usado com tanta frequência que sinto como se eu já tivesse visto essa mesma história antes (muitas e muitas vezes).

E, de certa forma, já vi mesmo.

Abuso sexual no anime DAKAICHI – I’m being harassed by the sexiest man of the year

Takato Saijyo é obviamente abusado por Junta Azumaya. E, em vez de dizer um “NÃO” bem enfático (e começar a andar com um spray de pimenta, ou dar um chute no saco do bofe), ele fica naquela lenga-lenga de “oh… não… não faça isso”. Um “não” tão mole que mais parece “hum, estou gostando mas não quero admitir… continue”.

Esse “não” com cara de “sim, por favor, mestre” é TÃÃÃO COMUM nas cenas mais picantes do yaoi que chega a ser preocupante.

Tá certo que o Junta é gato, gostoso e está em 1º na lista dos “mais desejados”. Mas isso não dá a ele (nem a ninguém, que fique registrado) o direito de fazer o que quiser com o corpo dos outros.

dakaichi anime yaoi my number one boys love gay 02

Eu sei que corro o risco de parecer uma pessoa muito conservadora ao dizer isso (e olha que eu amo yaoi, e escrevo livros homoeróticos!). A verdade é que eu até gosto de ver essas cenas em determinados momentos, mas essas atitudes excessivamente entregues (dizendo que não quer, mas agindo como quem quer) me incomodam um pouco.

E tem o Junta também. O cara simplesmente não respeita um “não”. E a desculpa é sempre a mesma: “ah, mas eu estou muito apaixonado… sou jovem e não aguento meus impulsos… meus hormônios estão em fúria… blá, blá, blá”.

Caramba… Será que não é possível criar uma história yaoi com personagens que têm atitudes diferentes dessas? O que tenho visto durante anos são histórias com pano de fundo diferentes, mas o cerne da coisa é sempre o mesmo.

Sempre… O… Mesmo…

(eu realmente gostaria de saber sua opinião… No fim do post tem espaço para comentários, então fique à vontade para se expressar)

Homem com homem? Que absurdo!

Estamos em pleno século XXI, e não somente o Brasil mas todo o mundo vive uma revolução no que se trata da comunidade LGBTQ+. Por mais que as perseguições e a homofobia/LGBTfobia ainda existam, é visível que estamos mais maduros para reconhecer casais de dois homens ou de duas mulheres sem fazer aquela cara de “O Grito”, do Edvard Munch.

dakaichi my number one yaoi boys love gay o grito

Em outras palavras, não é tão novidade assim a existência dos homossexuais, bi, trans, pan, etc. Quem ainda demonstra assombro está exagerando (sério).

Em DAKAICHI – I’m being harassed by the sexiest man of the year, Takato Saijyo em certo momento acha a confissão de Junta estranha. Aquele velho papo que vemos em 95% dos mangás yaoi: “oh, mas somos ambos homens…”.

Calma, não me crucifiquem ainda… Explico.

Eu sei que muitos da comunidade LGBT ainda têm dúvida sobre suas sexualidades, ou têm muito medo por causa das atitudes detestáveis da sociedade. Compreensível. Mas o problema aqui é, novamente, a repetição da maneira como esse tabu é tratado.

(pausa para imagens fofas)

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Aparentemente, os mangás e animes yaoi ainda não venceram a homofobia interna, ou seja: por mais que seja uma história para se apresentar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, parece que o foco principal deste tabu da homossexualidade é: temos que esconder, esconder e esconder. Porque é “errado”. Porque a sociedade não aceita.

São raras as produções de anime/mangá que exibem um casal yaoi que não tem estes problemas. E isso acaba passando aos leitores que é “normal”. Ter medo é normal. Se fechar num armário é normal… Em outras palavras, que é preciso continuar se escondendo de todos (e de si).

Este medo existe de fato, e é uma chaga da humanidade (principalmente nestes tempos sombrios de “guerra política” em que estamos). Mas mostrar que também existem casais com um relacionamento sem medo é saudável para os fãs do yaoi. Tratar a homossexualidade como algo natural é uma das coisas que podem ajudar a mudar (para melhor) a cabeça das pessoas.

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Apesar dessas minhas críticas, a produção do anime Dakaichi é primorosa. O design dos personagens, a animação, dublagem japonesa e as músicas são de encher os olhos, e eu certamente acompanharei o anime pela Crunchyroll. Por mais clichê que seja, quero ver os pequenos nuances do relacionamento complicado dos dois, pois isso sempre é inspirador.

Estes pontos negativos que apresentei não é apenas de Dakaichi. Se você notar com atenção, perceberá isso em uma enorme gama dos animes e mangás yaoi japoneses. É uma reafirmação de tabu que não deveria mais existir nesta abundância.

Talvez isso só esteja se estendendo tanto porque até quem gosta considera tabu. Sei que é um fato. Isso infelizmente é um tabu… Mas gosto de fantasiar sobre tempos melhores. Tempos em que possam haver histórias yaoi onde o tema a ser tratado sejam outras coisas. Onde possamos falar da homossexualidade sem baixar a voz, sem fazer parecer um palavrão.

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Diferença com o mangá de DAKAICHI / Dakaretai Otoko No.1

Depois de ter visto o anime DAKAICHI My Number One eu evidentemente fiquei pensando “será que aquela cena – de sexo – foi mostrada no mangá?”. E, se você é uma pessoa que costuma ler mangás yaoi, deve já saber a resposta: sim, a cena foi mostrada.

O mangá difere bem pouco do anime (ao menos, do que foi possível notar neste derradeiro início), mas as diferenças são positivas (alerta de spoiler do primeiro episódio abaixo). É como se ambas as mídias se completassem.

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No anime, a primeira tentativa de “partir pra cima” que Junta faz no banheiro não dá em nada. Ele apenas deixa as intenções dele bem claras, mas o sexo só acontece depois, no intervalo entre as gravações (e nem é mostrado).

No mangá, a primeira relação deles já acontece no banheiro… E devo dizer: Junta de fato estupra Saijyo aqui. Porém, como o uke acaba “gostando”, as pessoas que lêem o mangá talvez não percebam que ocorreu uma violação sexual naquele momento (e isso me incomoda muito).

dakaichi anime yaoi my number one boys love gay 14Tentando deixar o ato de estupro de lado (é difícil não me revoltar, mas vou tentar), as cenas de sexo não são hiper detalhadas, mas mostram o bastante para suprir nossos corações fujoshis/fudanshis famintos e pervertidos. As expressões faciais que ambos fazem são deliciosas de ver, e a quantidade de cenas assim são realmente abundantes (qualquer pausa ou encontro é motivo para eles se pegarem), embora não seja completamente explícito.

Mesmo que o anime não seja voltado ao público jovem (refiro-me a crianças), essas cenas picantes ficaram de fora da produção. Quase nenhum anime yaoi tem cenas de sexo e, quanto têm, são censuradas (com raríssimas exceções). Então, se uma pessoa se incomoda em ver cenas de sexo entre homens mas fica de boa com beijos e lambidas, DAKAICHI é um terreno relativamente seguro para se assistir.

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O mangá, originalmente chamado Dakaretai Otoko No.1 ni Odosareteimasu (do mangaká Hashigo Sakurabi), ainda está em andamento. Portanto, creio que podemos esperar algo semelhante ao que vimos em Love Stage: apenas alguns capítulos serão transformados em anime, provavelmente para aumentar o interesse e recrutar mais leitores para o mangá. A história toda ficará longe de ser concluída neste anime (ao menos nesta temporada), apenas aumentando nossa sede por histórias românticas entre garotos.

Oh, claro… E aproveitando que estamos falando nisso, gostaria de lhe convidar para conhecer minhas histórias Yaoi. Acesse meu site para conhecer Anjo Negro, Gatos Pervertidos, e O Monótono Diário de Isaac.

Garanto que todos têm bastante lemon e muito romance! 🍋 ❤

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K I S S E S 💋 K I S S E S

 

Trailer de DAKAICHI com legenda em espanhol

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Sobre o Autor

Lyan K. Levian é contista e romancista de histórias homoafetivas e homoeróticas, principalmente com foco no público que se denomina "fujoshi" e "fudanshi" (fãs de yaoi/boys love). Conheça os trabalhos de Lyan: www.lyanklevian.com

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One thought on “DAKAICHI – I’m being harassed by the sexiest man of the year Crítica

  1. Devo admitir que gostei bastante do anime, cheguei a dar uma olhada no mangá, realmente me incomodou a questão do abuso, que quase desisti. Bom quanto a isso ser meio escondido, e proibido, acho que se deve bastante em parte pelo leitor ser dessa maneira, e fora que no país onde é publicado é um país bem mais conservador do que o nosso. Outro ponto seria que como trabalham na indústria de entretenimento, se chegassem a descobrir suas carreiras desmoronariam, e não acho que seja isso que pelo menos o Takato-san demonstrar querer, embora o Junta-san não se importaria em se expor, mas vale lembrar que essa diferença de pensamento se deve ao protagonista mais velho ter provavelmente tido uma educação mais rígida, em vista que ele trabalha desde novo nas mídias visuais. Já o Junta teve provavelmente mais liberdade, pois só recentemente começou a se aventurar pelo mundo do entretenimento, e provavelmente foi criado de uma maneira menos repressiva, em vista que os jovens atuais teriam a mente menos fechada para o conceito de relacionamento homossexual (vide Yukina Kou de Sekaiichi Hatsukoi) aliás a relação desses em certos pontos me lembra um pouco os personagens, sendo o mais velho preocupado com a aparência, e o mais novo não importando de demonstrar o que sente pelo par.
    Espero não ter dado spoiller, e pelo menos é o que me pareceu do pouco que acompanhei do anime, e do que li do mangá. Espero que eles acabem evoluindo, e a relação deles se desenvolva e que eles mudem um pouco, ou evoluam pelo menos a maneira de agirem.

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