Longas e Curta-metragens

Errementari: O Ferreiro e o Diabo Netflix – Crítica do filme

Errementari: O Ferreiro e o Diabo é a continuação da tentativa da Netflix em agradar aos fãs do terror e do suspense, nesse mês em que comemoramos o Halloween (assista aqui). Não que esses filmes estejam sendo liberados apenas com esse fim: desde o começo do ano, muitos longas desse gênero tem sido inseridos no catálogo da gigante do streaming, na tentativa de cativar esse público que, até então, tinha poucas opções.

Acontece que, assim como acontece com Kuntilanak: Espelho do Mal (terror indonésio lançado esta semana na Netflix), este filme tem uma ótima proposta e excelente ambientação, mas sofre com alguns erros que comprometem a narrativa e , consequentemente, a experiência como um todo.

Aquilo que devia dar medo acaba dando uma impressão de estranhamento e, por mais que todo o resto seja absolutamente competente, acaba não atingindo o objetivo final. E um filme de terror que não assusta está fadado ao fracasso.

Uma mistura de referências

A base do roteiro de Errementari: O Ferreiro e o Diabo é o folclore espanhol, além de outras citações que vão de versículos da Bíblia até a obra de Dante Alighieri. É uma mistura de referências excelente e que tem enorme potencial para causar uma impressão duradoura na audiência, e de fato conseguem ter algum impacto por conta da absolutamente competente direção de arte.

O filme é muito bem feito, tendo cenários deslumbrantes e uma fotografia impecável que acompanha o clima de horror da Espanha dos anos 1800.

A história se passa mais especificamente em 1835, em uma Espanha recheada de conflitos. No meio de guerras e confusões, um soldado chamado Patxi acaba se safando ileso desses confrontos por ter vendido sua alma para o demônio. Porém, quando o enviado do inferno Sartael vem buscar sua alma, acaba aprisionado por ele. Entretanto, conforme vamos conhecendo a alma de Patxi vamos percebendo que, por ser um homem maligno e rancoroso, nem o Inferno deseja ter a sua alma.

Ao menos, é isso que o filme tenta nos vender no início. Contudo, conforme a relação entre Patxi e Sartael vai se desenrolando, notamos que nenhum dos dois é essencialmente malvado, assim como também não são bondosos. Esse tipo de situação confunde o espectador, deixando um potencial terror e apostando em um drama onde os dois compartilham as suas visões de mundo. Com isso, ao abandonar a seara do terror, Errementari: O Ferreiro e o Diabo acaba deixando um gosto amargo quando chega ao final.

Muita enrolação, pouca objetividade

Errementari: O Ferreiro e o Diabo sofre de um problema crônico: a enrolação desenfreada. Antes que possamos acompanhar a história central do ferreiro e o diabo, passamos por um enorme pano de fundo que faz críticas diretas ao catolicismo e também ao próprio governo espanhol, dois problemas antagônicos que acabam se encontrando na figura de Patxi.

A história, portanto, acaba enrolando para chegar a seu ponto focal e, quando o alcança, começa a correr para recuperar o tempo perdido. Nesse meio tempo, quem assiste pode acabar confundindo com a rapidez com que as situações começam a se desenvolver, em contraponto ao início do filme, que se preocupa em colocar as peças do jogo em movimento e criar uma ambientação.

Através da música e dos cenários, magnificamente construídos, acompanhamos o andamento de Errementari: O Ferreiro e o Diabo com interesse, que acaba se frustrando por sua conclusão apressada e óbvia.

Um filme que recomendamos fortemente para diversão e teorias é Bird Box.

Trailer e informações do filme Netflix Errementari: O Ferreiro e o Diabo

Sinopse 1: Ele vendeu a alma ao diabo. Mas é o demônio quem corre o risco de sair perdendo nesse negócio.

Sinopse 2: Um ferreiro cruel tortura um demônio que ele culpa por sua desgraça. Mas uma órfã aparece por engano e pode mudar tudo. Baseado no folclore basco.

Idioma: dublado (com áudio original basco, e legendas em português);

Duração: 1h 39min;

Classificação etária: 14 anos;

Ano de lançamento: 2018;

Gênero: Suspense, Drama;

Compartilhe
Convidado

Este é um artigo enviado por um convidado do site.

Ver comentarios

  • A obra não foi concebida para ser um filme de terror, apesar da Netflix vendê-lo como tal.

  • Complementando o comentário acima, conhecer um pouco da história do País Basco - e sua relação com França e Espanha - ajuda a contextualizar o filme.
    Uma coisa mais. A trama foi desenvolvida a partir de uma lenda basca que se contava às crianças.

Publicado Por