Um pouco de loucura sempre cai bem e, no caso de Feliz!, uma série que a Netflix exibe em seu catálogo atualmente, esse conceito vai bem mais longe. A grande viagem lisérgica da série sacia a sede de sangue e violência de muitas pessoas que se sentiam órfãs de obras desse gênero desde o clássico “Kill Bill” (e já se vão 14 anos desde esse lançamento).

A premissa absolutamente surreal que norteia “Feliz!” é, ao mesmo tempo, um grande atrativo para quem gosta de humor non-sense (e em breve você vai entender o motivo) e também para quem curte violência gráfica como catarse. É praticamente impossível não se deixar levar pela série e pelos seus personagens, mas isso não significa que ela tem problemas. Há, sim, algumas falhas estruturais no seriado, mas o prazer de ver um festival de sangue sem qualquer sentido “normal” acaba vencendo.

Surrealismo ou loucura total?

A série, criada por Grant Morrison, Brian Taylor (este último, não por acaso, é criador de “Adrenalina”, filme com Jason Statham que também é praticamente uma viagem com ácido), é como sentar em um carrinho de montanha russa que passa rente a um precipício.

É um negócio doido demais, até mesmo para os padrões da Netflix e do SyFy, produtora original da obra.

Imagine um policial altamente violento, que está afastado por problemas graves de saúde e alcoolismo, e de repente acorda com um unicórnio azul ao seu lado que insiste que precisa de ajuda para salvar uma garota que foi sequestrada por ninguém menos que Papai Noel.

Não, você não leu errado. É isso mesmo.

Você pode estar achando uma enorme bagunça, certo? Pois saiba que é isso mesmo: Feliz! é uma enorme salada de referências pop, violência desregrada e humor surreal. E isso tudo só funciona porque Christopher Meloni, que interpreta o protagonista Nick Sax, é um ator excepcional que consegue nos fazer acreditar neste homem e em seus objetivos, por mais doidos que sejam.

E boa parte da força cômica vem da dobradinha de Meloni com Patton Oswald, famoso comediante que dubla o unicórnio Feliz, de onde sai o título da série. É bem fácil se afeiçoar a ele, e muito disso está no trabalho de dublagem de Oswald, que acha o tom certo para o personagem. É claro que é esquisito ver um unicórnio no meio de tanta cena violenta, mas esse estranhamento passa depois do (sensacional) primeiro episódio, e logo fica natural. É uma pena que, com tanta coisa boa, a série tenha seus defeitos que não são possíveis de ignorar.

Os defeitos da série Netflix Feliz! não tiram sua força

Na manchete: “Decadência do super policial”

O maior problema de Feliz! é que o roteiro é cheio de furos, como as paredes recheadas de buracos de bala da maioria das cenas de ação. Os personagens coadjuvantes não têm qualquer profundidade, servindo apenas para dar vazão à ira de Nick Sax, e isso incomoda justamente porque, em vez de focar nas interações entre heróis e vilões, a série aposta em deixar Nick como protagonista solitário, sendo ele e o unicórnio os únicos com personalidade definida.

A sua conclusão também é problemática, deixando pontas soltas e arcos de história sem resolver. Provavelmente numa confiança de que haverá uma segunda temporada. Mas isso é arriscado, visto a facilidade com que as produtoras cancelam as histórias em pleno voo. Além, claro, desse vício que a maioria dos cineastas de ação têm de fazer cenas entrecortadas em excesso, onde fica difícil conseguir distinguir o que está acontecendo na tela. Essa suposta agilidade deixa alguns episódios difíceis de assistir.

Às vezes isso incomoda, não dá para negar. Mas, se conseguir entrar de cabeça na loucura de Feliz! isso não vai ser um problema. Quem gosta de violência, ação e coisas sem qualquer sentido vai amar o seriado e torcer com todas as forças que ela seja renovada, para continuar essa saga recheada de loucura.

Trailer e informações de Feliz! Netflix

Sinopse: Um ex-policial bêbado que virou matador acha que enlouqueceu quando um unicórnio que só ele vê lhe pede ajuda. A missão é resgatar uma garota sequestrada por Papai Noel.

Idioma: dublado (com opção de áudio original em inglês com legendas em português);

Total de episódios (na data deste post): 1 temporada com 8 episódios de aproximadamente 40 minutos cada;

Classificação etária: 18 anos;

Ano de lançamento: 2017;

Gênero: Comédia irreverente;

 

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