Força Queer  Netflix é uma série que era esperada como uma das primeiras produções 100% destinadas ao público LGBTQIA+ dentro da plataforma, no que diz respeito a animações (assista aqui).

O resultado, apesar de ser interessante sob alguns aspectos, deixa a desejar.

Antes mesmo da estreia, a animação Netflix Força Queer criou polêmicas: quando seu trailer foi lançado, teve uma chuva de dislikes, tanto pelos já esperados homofóbicos e religiosos que se sentiram pessoalmente insultados pela produção, como também pela própria comunidade retratada na série, que reclamou do uso de estereótipos em seus personagens.

Era preciso esperar a série Netflix Força Queer estrear para ter certeza dessas acusações. Agora que ela estreou, já se pode dizer: os críticos estavam com a razão.

Do que se trata a série Força Queer Netflix

A história da animação Força Queer é a seguinte: um agente chamado Steve Maryweather caiu em desgraça dentro da agência de serviço secreto onde trabalha depois de se revelar homossexual.

Na época, ele foi isolado em West Hollywood pelo seu chefe homofóbico, e sua vida parecia estar fadada a isso mesmo. No entanto, ele recebe a ajuda de uma mentora que o coloca como líder de um grupo de espiões LGBTQIA+, que tem a missão de proteger o mundo de diversas ameaças.

A cada episódio de Força Queer, acompanhamos Steve e seu grupo lidando com um vilão que ameaça a Terra. Ao mesmo tempo, vamos conhecendo cada vez mais os personagens que orbitam o protagonista Steve, e vamos entendendo qual é o lugar de cada um deles dentro da comunidade.

A intenção do roteirista e produtor Gabe Liedman era justamente falar sobre a grandeza dessa comunidade com a animação Netflix Força Queer, mas há falhas de construção desses personagens que acabam dando razão para as críticas de que houve um apelo muito grande a estereótipos.

Estereótipos em Força Queer Netflix

Por exemplo, o protagonista, Steve Maryweather. Ele é um estereótipo porque faz o tipo “gay de academia, preocupado com a aparência, padrão”.

Há um estigma muito grande a respeito da autoimagem no meio LGBTQIA+, e a série Netflix Força Queer perde a oportunidade de tratar disso ao apelar para o óbvio na hora de criar seu personagem principal.

Além disso, Steve Maryweather sofre de outro problema: falta carisma e enredo para que ele seja, de fato, o líder dessa história. Falta ao personagem o estilo e o carisma de um protagonista.

É bem claro que Steve é uma espécie de cópia de James Bond, mas não consegue convencer, deixando o brilho de verdade para alguns coadjuvantes que ocupam e roubam as cenas de Força Queer.

Temos aqui, por exemplo a mecânica estrela que só quer saber de ficar com sua esposa em casa, a hacker e principalmente Twink, o personagem drag-queen da série.

Esses três conseguem segurar a onda e se tornam em muito pouco tempo o que realmente importa na animação Força Queer, já que aquele que foi designado como protagonista não consegue preencher esse espaço.

Vale a pena assistir Força Queer Netflix?

Talvez, o que dá para entender da animação Netflix Força Queer seja o seguinte: é um programa com uma boa intenção, com uma ideia nobre de representatividade.

Mas a forma como isso foi colocado acabou não dando muito certo. Se houver uma segunda temporada de Força Queer, há tempo de consertar esses erros e colocar as coisas nos seus devidos lugares.

O que se vê aqui é uma produção que não sabe como abordar os temas que propõe, com personagens que muitas vezes soam deslocados (e até as referências ao universo LGBTQIA+ podem parecer meio soltas às vezes), deixando tudo meio fora de tom.

Sinopse e Ficha Técnica da animação Netflix Força Queer

Título Original: Q-Force;

Lançamento Netflix: 2 de setembro de 2021;

Direção e roteiro: Sean Hayes, Michael Schur;

Sinopse Netflix: Um superespião gay e sua equipe LGBTQ fazem de tudo para provar seu valor à agência que os subestimou. De West Hollywood para o mundo!

País de Origem: Estados Unidos;

Gênero: Animação para jovens adultos, Comédia policial, LGBTQI+.

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Luiz Henrique Oliveira

Nascido em 1986, editor-chefe no Cenapop, colunista no Interprete.Me, redator no UOL e youtuber no Cinco Tons.