Hideo Kojima e a vida útil curta dos games (2022)

Hideo Kojima fez um post no Twitter sobra a vida curta dos games, e as palavras dele repercutiram em todo o mundo.

Mas antes acho interessante explicar quem é ele: Hideo Kojima é considerado uma das mentes brilhantes no desenvolvimento de games, e as criações mais conhecidas dele é a franquia Metal Gear, e mais recentemente “Death Stranding”, com Norman Reedus.

O tweet do Kojima diz o seguinte:

“Ainda estávamos no início da indústria de jogos quando entrei nela. Videogames eram brinquedos descartáveis. Nesse ambiente, eu esperava criar jogos que fossem sustentados por 50 anos, assim como os filmes clássicos.”

“Ao contrário de filmes, no entanto, software e hardware têm uma vida útil curta. Mesmo que as imagens e os objetos sobrevivam, eles não podem ser jogados. Ainda assim, sobreviveram como um MEME.”

(original abaixo)

Aqui é bom explicar que, quando ele disse “meme”, não estava falando dos memes de humor e sátira atuais, mas sim sobre o conceito mais antigo de memes: o de elemento cultural, que é passado de uma pessoa pra outra através das gerações.

Hideo Kojima e os games de vida útil curta

Se formos espiar o perfil de Kojima no Twitter, ele afirma que “70% do corpo dele é feito de filmes”. Ou seja, um cinéfilo assumido.

Não é à toa que seu primeiro jogo de sucesso praticamente revolucionou a indústria de games, pois Metal Gear Solid, de 1998, foi um dos primeiros videogames com cinemática, dando a experiência de estarmos jogando um filme. Hideo Kojima é, portanto, apaixonado por contar histórias imersivas com a experiência de um game.

E isso é simplesmente fantástico, pois jogos têm um poder que filme nenhum vai ter. É verdade que o consumo de filmes é muito mais amplo do que o de games, e isso acontece exatamente por sua facilidade: no caso dos filmes, basta dar o play e sentar para ver as coisas acontecendo. É um entretenimento passivo, digamos assim.

Já no caso dos games cinematográficos, por mais que a sensação seja a de assistir um filme, quem joga esse tipo de jogo sabe que a imersão é muito maior, visto que é um entretenimento ativo, em que nossas ações ditam o progresso dos personagens.

A frustração de Hideo Kojima em não ver os games tendo tamanha longevidade, se comparado a filmes clássicos, é perfeitamente compreensível. Quando um console sai de linha, os jogos feitos para ele também acabam entrando num limbo não de esquecimento, mas de “não jogabilidade”. Poucas são as pessoas que ainda pegam jogos antigos para desfrutar tudo o que eles têm a oferecer na jogabilidade.

Longevidade dos games como filmes

A preservação de títulos icônicos nos games muitas vezes se faz por filmes ou séries que derivam desses mesmos títulos mas, como já comentei, não é a mesma coisa. Sentir o fièro por descobrir você mesmo um enigma, ou por passar uma fase, é uma sensação que nenhum filme ou série poderá simular.

Aqueles que deixam de lado os preconceitos de gráficos antigos, e se dispõem a degustar um jogo com tudo o que ele tem a oferecer, consegue a experiência completa. Passar aos mais jovens a paixão dos jogos antigos é uma boa (o meme que Hideo Kojima citou), mas incentivá-los a jogar esses mesmos jogos pode reavivar o que fez essas histórias serem tão icônicas.

Outra coisa que pode aumentar o tempo de vida útil de um jogo são as remasterizações ou remakes, como é o caso de Grim Fandango e Final Fantasy VII: fãs antigos e novos se uniram para reviver a mesma história, desta vez com jogabilidades atuais.

Infelizmente esse quesito, a jogabilidade, sempre será um empecilho para que jogos tenham a mesma longevidade que filmes clássicos, como desejaria Hideo Kojima. Ele mesmo parece sempre tentar encontrar em seus jogos um meio de torná-los tão longevos quanto filmes.

Se isso acontecerá, não tem como saber. Mas uma coisa é certa: Hideo Kojima é um grande nome na história dos videogames, e essa paixão dele pelos filmes criou um marco na forma de contar histórias durante os jogos.

Você também poderá se interessar por: Ansiedade nos games e Robô Russo de Xadrez quebra dedo de menino.

Compartilhe
Nantai

Escritora, ilustradora e taróloga autodidata, Nantai procura reavivar a centelha de magia que todos temos. Gosta de montanhas, gatos, e de escrever ao som da chuva. www.bcrausnantai.com

Ver comentarios

Publicado Por