Longas e Curta-metragens

Na Própria Pele – O Caso Stefano Cucchi Netflix: Crítica do filme

Na Própria Pele – O Caso Stefano Cucchi conta a história desse homem, que morreu em 2009.

Depois de ser torturado em uma prisão italiana, sua morte suscitou uma enorme discussão que dura até hoje sobre porte de drogas e violência policial no país. A batalha na Suprema Corte italiana, liderada pela irmã de Stefano, envolveu diversos profissionais que haviam participado dessa morte brutal.

Falar sobre essa história parecia mexer em uma ferida ainda aberta. Mas o diretor Roman Alessio Cremonin não teve medo de encarar o projeto e entregar esse longa, que agora está disponível na Netflix. O resultado pode ser irregular no que diz respeito aos cânones do cinema, mas a discussão que levanta é muito, mas muito relevante.

Uma história conhecida

É impossível não traçar paralelos com assuntos que aconteceram aqui no Brasil. Desde Vladimir Herzog até o Amarildo, a violência policial é algo com o qual convivemos por aqui (para quem duvida, dá uma checada na série documental Por Dentro das Prisões Mais Severas do Mundo).

Sabemos como é, basta abrir um portal de notícias ou ligar o noticiário. Para a Itália, portanto, o caso de Stefano Cucchi foi chocante e abriu, realmente, uma enorme discussão. O filme, portanto, tinha mais do que a tarefa de ser uma obra cinematográfica: também é um documento de denúncia e também uma forma de tornar conhecido esse fato tão duro e tão triste.

O roteiro constrói a trama quase de forma documental. Vemos as testemunhas, a luta da família para saber o que aconteceu, e principalmente a reconstituição do martírio de Stefano do momento em que foi preso até sua morte na cela da prisão. E isso jamais seria possível sem a interpretação intensa de Alessandro Borghi como o personagem principal.

O ator não trabalha apenas o lado psicológico de Stefano, mas também tem uma atuação muito física, por causa das cenas de tortura na prisão. Ele se sobressai e chama a atenção para seu trabalho, que norteia o filme.

Todos os coadjuvantes estão bem, enquanto a direção, baseada em um roteiro denso, faz o trabalho de observar os acontecimentos: não tem estrelismos, é apenas uma câmera ligada flagrando uma injustiça que passou despercebida pela polícia italiana.

 

Orçamento baixo, filme grandioso

Fica claro, no decorrer de Na Própria Pele – O Caso Stefano Cucchi, que há pouco orçamento para finalizar o longa. Mas isso é compensado pela entrega dos atores e com uma direção discreta. Isso maximiza o resultado, deixando o filme com uma cara mesmo de documentário.

Somos testemunhas do que aconteceu a Stefano Cucchi, e depois de seu trágico fim, somos companheiros de sua família na busca por justiça. Na vida real, esse caso ainda reacende muitos debates na Itália e na Europa como um todo, sobre como lidar com as pessoas que apenas fazem uso de entorpecentes: como tratá-las, aos olhos da lei?

Por isso esse filme é tão importante. Ele foi exibido na mostra Horizontes do 75º Festival de Cinema de Veneza, e fez barulho por conta de seu realismo e pela sua temática.

Por mais que o mundo tenha avançado em relação aos direitos humanos, ainda temos muitas corporações que abusam da força para se impor. Foi o caso na Itália, é o caso no Brasil.

Portanto, esse filme é importante para mostrar, com força, como uma ação aparentemente banal se tornou uma enorme tragédia, como tantas outras que acontecem todos os dias, em todos os lugares.

Trailer e informações do filme Netflix Na Própria Pele – O Caso Stefano Cucchi

Sinopse: Detido por posse de drogas, Stefano Cucchi enfrenta uma semana atrás das grades que muda para sempre a vida de sua família. Baseado em fatos reais.

Idioma: italiano, com legendas em português;

Duração: 1h 40min;

Classificação etária: 16 anos;

Ano de lançamento: 2018;

Gênero: Drama biográfico, Sombrio;

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