Nós Temos um Grande Problema Netflix: Crítica do dorama

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O dorama japonês Nós Temos um Grande Problema (My Husband Won’t Fit) é do tipo que ou você ama, ou odeia. Com um tema tão específico e delicado, não tem como ficar em cima do muro, já que geralmente temos opiniões bem formadas sobre os assuntos tratados (assista aqui).

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A série foi dividida em 10 episódios, e conta a história de um casal que não consegue consumar um ato sexual (a tradução literal do nome do dorama em inglês seria “Meu Marido Não Encaixa”). Do primeiro episódio até o último, várias passagens de tempo acontecem, de modo que acompanhamos cerca de 15 anos do relacionamento entre a protagonista Kumiko (Natsumi Ishibashi) e seu par romântico, Kenichi (Aoi Nakamura).

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Existe amor sem sexo?

Nós Temos um Grande Problema acontece em um ritmo lento, sem nenhuma pressa de apresentar os personagens e a complicada situação. Isso pode ser um ponto negativo para pessoas mais apressadas (que estão acostumadas a histórias com diálogos mais intensos e compactos, os “entretenimentos fast-food“), mas para quem gosta de aproveitar o momento e curtir os personagens, este dorama pode “se encaixar” bem melhor do que o esperado.

Ao tratar de um assunto tão polêmico (o amor entre um casal que não consegue transar, e não quer ter filhos), uma discussão é aberta entre a própria Kumiko e Kenichi: será mesmo que eles poderiam viver juntos e se amar sem que exista sexo entre eles? Esse pensamento assombrou Kumiko, a protagonista do dorama Netflix Nós Temos um Grande Problema, a ponto de dar a ela pesadelos e momentos ruins no trabalho. Tudo à sua volta parecia confrontar essa ideia.

A descoberta das traições são como uma comprovação, e ela acaba abafando o fato, sofrendo sozinha. Não conversa com Kenichi sobre sua descoberta do cartão-fidelidade, nem o questiona. O motivo disso: ela sente-se responsável. Acha que, por não satisfazer o marido, ele tem certo direito de estar fazendo aquilo.

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A vida dupla de Kumiko e Kenichi

Por mais que a série japonesa Nós Temos um Grande Problema tenha se esforçado em mostrá-los como um casal verdadeiramente feliz, um dos problemas foi a falta de esclarecimento das pequenas visitas de Kenichi à “casa dos pais”. Aquilo não foi mostrado novamente, e os encontros secretos da própria protagonista também caíram no esquecimento. Por causa disso, ficou uma certa dúvida: eles estavam ou não continuando com suas vidas duplas?

Numa das conversas onde eles decidem que de fato não é necessário ter o sexo para que exista o amor, fiquei pensando que, dessa forma, eles poderiam estar dando uma espécie de carta branca para que cada um tivesse sua vida sexual particular enquanto viviam felizes como um casal que se ama.

O problema nem é eles serem um casal de relacionamento aberto (casamentos assim estão se popularizando aos poucos e, desde que haja transparência e consentimento, não há problema algum). O que me incomodou é que ainda parecia que havia uma grande bola na garganta que não foi tratada. Não sei se foi somente eu que fiquei com essa sensação, mas me pareceu que, embora eles tenham se reconciliado, o problema ainda espreitava.

E o bordel? E os encontros com o homem do fórum? Esses detalhes foram esquecidos, e isso dá realmente margem a essas duas conclusões: A primeira é a que citei: eles mantiveram as vidas duplas (para saciedade física) e continuaram como um casal feliz. A segunda conclusão possível (que acredito que seja a da maioria) é a de que ambos pararam com as vidas duplas e se contentaram com as masturbações a dois.

Acho que a versão “correta” vai depender da cabeça de cada um.

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A cobrança dos pais para os netos

Um outro detalhe pertinente tratado na série Nós Temos um Grande Problema é sobre os casais que decidem não ter filhos. Estando no século 21, é cada vez mais comum encontrarmos pessoas que já têm anos de casados e ainda não tiveram filhos (e nem pretendem ter).

Muitos destes casais acabam sofrendo com o preconceito, exatamente por conta de sua “liberdade” aparente. Por não terem tido a experiência da paternidade e maternidade, podem ser considerados irresponsáveis, imaturos, e é muito comum também que ouçam o argumento de que “você só fala tal coisa porque ainda não tem filho”. Em outras palavras, a autoridade de certas pessoas cai quando não se tem filhos (era o caso de Kumiko, como professora). E se você tem mais de 30 anos e ainda não tem filhos, deve ter passado por isso alguma vez.

Este é um dos maiores serviços prestados pelo dorama Nós Temos um Grande Problema: criar entre os jovens a ideia de que não precisa necessariamente ter filhos para seguir a vida. Quando uma mulher ou um homem cedem aos pedidos dos pais, e concebem um filho apenas por pressão social, muita frustração pode se acumular resultando em uma família desfuncional (era basicamente isso que Kumiko presenciava com seus alunos). Um pai e uma mãe devem ter uma criança por vontade própria, por amor ao chamado de maternidade/paternidade. E não pela obrigação do “Tem Que Ter E Pronto”.

Em Nós Temos um Grande Problema, presenciamos uma cena revoltante entre os pais de Kumiko e Kenichi, quando eles finalmente contam sobre tal decisão. Vemos como eles depositavam nos filhos essa obrigação inquestionável, a ponto de sequer se importarem com o que eles realmente desejavam para o futuro.

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É quase como se eles próprios (os pais de Kumiko e Kenichi) estivessem frustrados e quisessem que os filhos passassem pelo mesmo que eles, numa espécie de “vingança inconsciente”. Para alguém que tem filhos, parece quase inconcebível um casal de homem e mulher, juntos há tanto tempo, que ainda pensa em “curtir a vida em liberdade”. É como uma afronta ao curso natural das coisas.

O exemplo de Kumiko e Kenichi mostra aos jovens que eles não precisam se anular para atender as vontades egoístas de seus pais…

Deixe nos comentários o que achou sobre isso, pois o assunto é denso, e daria pano para muito mais texto. A série Netflix Nós Temos um Grande Problema (My Husband Won’t Fit) realmente abre portas para novas ideias.

Você também poderá se interessar pelas séries Boa Noite Outra Vez, Primeira Vez Amor, Persona, A Loja de Unicórnios, Areia Movediça, Portal Verde, Se Eu Não Tivesse te Conhecido, Romance is a Bonus Book e Louvor à Morte.

Trailer e informações do dorama Netflix Nós Temos um Grande Problema

Sinopse Netflix 1: Kumiko e Kenichi se conhecem na faculdade e constroem um casamento feliz, mas com o passar do tempo um problema nada comum ameaça a relação.

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Sinopse Netflix 2: Eles parecem um casal normal, mas têm um segredo estranho. Um problema incomum pode uni-los ainda mais – ou separá-los de vez.

Duração dos episódios: aproximadamente 45 minutos;

Classificação etária: 18 anos;

Ano de lançamento: 2019;

Gênero: Drama, Romântico;

Nós Temos um Grande Problema Netflix: Crítica do dorama

Nós Temos um Grande Problema é um dorama que traz à tona um tabu com relação ao amor e sexo, e de quebra também fala sobre casais sem filhos. Veja a discussão.

Editor's Rating:
4

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Sobre o Autor

Lyan K. Levian é contista e romancista de histórias homoafetivas e homoeróticas, principalmente com foco no público que se denomina "fujoshi" e "fudanshi" (fãs de yaoi/boys love). Conheça os trabalhos de Lyan: www.lyanklevian.com

6 thoughts on “Nós Temos um Grande Problema Netflix: Crítica do dorama

  1. Não entendi até agora qual o real problema do casal que conseguem transar com. Pessoas diferentes, mais não entre eles. Eu pensei várias coisas, que ela tinha um problema no canal ou ele n tinha pênis. Mas como eles tem relação com outras pessoas, n estendi ainda.

    1. Não entendi também o real problema físico do casal já que conseguiam praticar o sexo com outros. Isso ficou no ar.
      Mesmo com essa incógnita a série é muito boa. Quem gosta daqueles cenas rápidas de hollywood não consegue ter a sensibilidade do cinema asiático.
      É bem meticuloso.

  2. Amei a visão sobre a série, e foi exatamente o que senti. Achei teu olhar muito sensível.
    Em outras críticas que lí, todos “reclamaram” da lentidão. Não concordo tanto. Tudo o que a gente mais precisa é de menos pressa! hahahaha
    A lentidão da série é maravilhosa, tendo em vista que vivemos num mundo não cheio de respostas rápidas, tão apressado. A série mostra bem claramente o que é a cultura japonesa.
    Só achei que faltou falar sobre o machismo e de como a responsabilidade de “não encaixar” cai totalmente sobre a esposa.Mesmo nas conversas íntimas entre o casal, o “tom” o usado é “eu não consigo te dar prazer” (fala da mulher). Como se o “defeito” fosse do corpo dela.
    Perceba que em vários momentos ela fica atormentada com essa “falha” do seu corpo.

  3. Observei e concordei com todas as mesmas conclusões que voc, mais vi também o fato dela ter sido “abusada” inconscientemente pelo falo da primeira vez ter sido como foi tbm pode ter causado um bloqueio nela e pelo fato dela não se abrir o problema pisicologico poderia ter se agravado mais ainda,tbm o fato de como é as condições que ela cresceu uma coisa vai puxando a outra, e tbm o fato deles não falarem abertamente com um médico sobre o fato de não haver a penetração eles ainda não tinham sido honestos com eles mesmos e levado o assunto mais adiante !!! Amei a série me surpreendeu e me fez questionar em vários aspectos tbm o fato dela nunca dizer não é não saber expor quando estava com problemas e sobre pressão os complexos o fato de sempre achar que era errada , a série é bem profunda.

  4. Eu fiquei frustada pois ela não se posicionava, deixava as pessoas ditaram o que ela deveria fazer. Não tinha uma opinião própria. Fiquei intrigada também por que eles não foram buscar tratamento para o que estava acontecendo na vida de casal deles. A primeira vez que foram buscar ajuda médica foi para um tratamento de inseminação. E não para o que estava acontecendo realmente, era como se tampasse o sol com a peneira. A serie é bem intrigante na verdade, pois a atriz traz em si um tom melancólico, um ar de incerteza e a infelicidade da relação materna e um exemplo dos pais de como os casados se portavam que ao meu ver é bem doentio. Fiquei na expectativa de que ela se posicionasse de forma positiva, porém foi dada uma sugestão de viver com a situação do mesmo jeito, como já disse, tampar o sol com a peneira. O autor também tinha uma visão de como as coisas devem seguir seu rumo bem conturbada. Antemão eu gostei da série, mas esperava mais…

  5. Acredito na possibilidade de que eles tenha continuado a viver o relacionamento sem interferência externa, parece que buscavam em outros preencher os vazios que resolveram mais tarde. Me incomoda, no entanto, é a dificuldade dela falar no assunto com profissionais de saúde e insistência em afirmar que é “ele” que não encaixa, sem jamais buscar as verdadeiras causas do problema, que me parecem estar na cabeça dela, um tratamento psicológico poderia ajudá-la muito.

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