A nostalgia emocional no anime Shiki Oriori Netflix (análises de vídeos)

Shiki Oriori Netflix nostalgia o sabor da juventude anime

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On 4 setembro, 2018
Last modified:8 setembro, 2018

Summary:

Achei bem interessante a primeira história contada no anime de longa metragem Shiki Oriori (um original Netflix). Esta primeira narrativa aborda bastante a nostalgia e a melancolia existente em todo ser humano cuja alma é sempre tatuada pelo tempo.

Em meu passado existiram pequenos momentos de felicidade que pareciam que durariam para sempre, por isso me identifiquei muito com a cena abaixo:

Transcrição do vídeo:

Ela era um ano mais velha que eu, e sempre passava nesta rua para ir à escola. O seu cabelo castanho reluzia com os raios solares. Eu poderia ficar observando aquele cabelo para sempre. Um dos motivos de eu sempre vir comer aqui era para poder admirá-la. Era uma das minhas pequenas diversões. Não sei porque, mas eu achava que esses momentos felizes fossem durar para sempre. Mas naquele outono…

Sempre falta alguma coisa

Não importa como sua vida esteja abundante, SEMPRE faltará alguma coisa.

Parece que a vida de todos é permeada de buracos de tempo onde se instala o vazio, o tédio, a confusão (de “como gastar”, por exemplo, se você for rico).

Às vezes curtimos a velocidade de nossa vida, seja na produção ou na felicidade e execução de eventos um após o outro. E qualquer desaceleração (ou estagnação) acaba gerando um desconforto que vem em forma de diversos estados negativos.

As pessoas têm chamas de entusiasmo e paixão e, quando isso se apaga, o dia-a-dia se torna repetitivo e acaba gerando desgostos. Porém o que mais doí são as saudades que sentimos daquilo que já passou e não volta mais. A falta é uma chama que prosperidade nenhuma apaga. Talvez devamos apenas aceitá-la para que assim a dor seja menor.

A cena abaixo representa bem o que estou falando:

Transcrição do vídeo:

A fome esta me matando… Uma chuva como esta é rara em Pequim. O metrô engole a multidão como uma sopa fria, e depois as cospe mecanicamente de volta à cidade. Esta cidade sem sentimentos se alimenta do entusiasmo e da paixão das pessoas, e eu estou no meio disso também. Nesse dia-a-dia repetitivo, mesmo que você tenha tudo que ame, tudo que sonhou alcançar… Mesmo assim irá sentir que falta alguma coisa.

Shiki Oriori: A emoção de uma comida

Sabe aquela comida que foi a âncora e centralizadora de muitas lembranças? Aquele cheiro que, ao sentir, causa no peito um turbilhão de emoções passadas?

O registro de memórias surge desde as pessoas que fizeram parte de cada evento, até a sensação de degustá-la. Tudo é registrado e revisto com muito carinho.

A cena abaixo me trouxe muita identificação:

O macarrão bifum era todo caseiro, e cada fio era transparente e muito bonito. Só de colocar na boca já te dava uma tranquilidade, e você sentia que seu dia ia ser bom. Esse era meu tempo com a vovó. Meus pais trabalhavam o dia inteiro, então eu sempre comia este prato de manhã com ela. Era o macarrão bifum shunshin. Eu adorava aquela massa deliciosa… Um dos cogumelos era bem chamativo, o outro tinha uma textura mais firme. Cada ingrediente absorvia bem o sabor do caldo, fazia aflorar o seu sabor, e me fazia abrir um grande sorriso no rosto. O vapor tocando a minha pele, e o aroma do caldo junto ao som que fazíamos ao sugar o macarrão… Eu amava demais estes momentos. Algumas coisas deixavam o prato ainda mais delicioso: a carne e o shitaque picados repetidamente, o ovo frito bem molinho que deslizava com o macarrão pela minha garganta, o caldo que fazia cada ingrediente ter um sabor único. Alguns restaurantes usam o glutamato monossódico. Mas lá, o casal dedicava bastante esforço e tempo para criar o melhor macarrão já feito.

A melancolia que dá força

Dias melancólicos são inevitáveis.

Às vezes, aquele vento antes de uma chuva em um lugar específico ativa algo no fundo de nossas almas… Ou o frescor e perfume de uma manhã recém nascida, ou o morno anoitecer de um dia quente em lugares específicos que deixamos para trás em algum momento de nossa vida…

A cena abaixo é a que mais gostei:

Os primeiros raios solares foram apagando a sombra que a noite trouxe. Eu tenho certeza que essas memórias que mexem com meu coração serão acalentadas com o passar do tempo. Algumas coisas não mudam, outras mudam:
o toque morno que perdi ontem talvez ainda exista… Talvez esteja colorindo o meu dia de hoje. Aqueles dias distantes nunca mais vão voltar. Mas, olhando para eles, sinto que me fazem seguir em frente. Eles sempre estarão guardados comigo conforme passam as estações. Era uma manhã melancólica e pálida, mas banhada pela luz.

No fim, é como diz na cena acima de Shiki Oriori: toda melancolia é banhada por uma luz.

A vida passa, e nunca estamos preparados. Então só resta acompanhá-la no nosso tempo e não remoer as coisas que fomos incapaz de aproveitar.

Viver a vida segurando o que podemos segurar.

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Sobre o Autor

Administrador do blog Interprete-me, Jerry D. Blodgett tem paixão pela literatura subjetiva e os estudos da filosofia e psicologia. Sempre que possível, faz pontes entre a reflexão interior e o entretenimento.

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