Tom Cruise, no papel de Jack Harper em Oblivion, disponível na Netflix

É interessante como Oblivion tem, do início ao fim, um ar de solidão.

A começar pelo título (oblívio é o ato de se esquecer), que indica um ponto importante da trama: os personagens se esqueceram de seus passados, e de acordo com a superiora Sally é “pelo bem da missão”. Não se lembram de absolutamente nada, salvo alguns lapsos de memórias que vêm ao protagonista, Jack Harper (Tom Cruise). Estes lapsos naturalmente causam questionamentos,e é o que leva o personagem a ser interessante.

Imaginar que não sabemos nada sobre nosso passado pode ser perturbador, e a trama toda gira em torno disso, de certa forma. Com um pano de fundo de ficção científica aliada a um planeta Terra pós apocalíptico, as lembranças de Jack nos causa os mesmos estranhos questionamentos pois, se prestarmos atenção, eles estão no ano de 2077, e os flashes de memória dele acontecem num planeta ainda não devastado, muitos anos antes de sua real idade.

Vika, interpretada por Andrea Riseborough em Oblivion, disponível na Netflix

A história vai sendo contada sempre com um ponto de vista muito aproximado dele, pois é aí que se escondem as surpresas.

Oblivion e sua solidão

Outro motivo pelo qual Oblivion passa um ar de solidão é ao notar que existe somente aqueles dois personagens, Jack e Vika, vivendo naquela parte do planeta. Vemos um planeta todo devastado, com dunas de areia onde um dia se estendiam rios e mares, e sem nenhum sinal de vida, seja de seres humanos ou de animais. Nada.

É neste cenário que Jack vive. Um isolamento livre, de certa forma, pois ele tem toda uma área por onde pode voar com sua nave, conhecer e explorar, mas não tem com quem compartilhar isso. A própria companheira, Vika, não é muito dada a estas novidades. Repele qualquer coisa que venha de fora alegando estar tudo contaminado, mesmo que seja um bonito vaso de flores. Nao é maldade dela, pois está apenas se preocupando com sua saúde e a de seu companheiro. Com isso, Jack está só mesmo quando se encontra acompanhado.

Quando estamos assim, tudo o que mais queremos é encontrar alguém que pense como nós, ou pelo menos que tenha questionamentos semelhantes. Não é fácil, mesmo em um mundo cheio de pessoas, encontrar estas pessoas. É comum estarmos “sozinhos em meio à multidão”.

Solidão e liberdade, muito bem representada nesta imagem de Oblivion

Para quem gosta de ficção científica, certamente encontrará neste filme uma boa pedida, já que Oblivion é muito semelhante a vários clássicos do gênero.

Já está disponível na Netflix, corre lá!

Você também poderá se interessar por Durante a Tormenta, Osmosis, A Ordem, Nightflyers e Love Death and Robots.

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Nantai

Escritora, ilustradora e taróloga autodidata, Nantai procura reavivar a centelha de magia que todos temos. Gosta de montanhas, gatos, e de escrever ao som da chuva. www.bcrausnantai.com

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