Rotten Netflix e nossa saúde: Crítica do documentário

Séries documentais como Rotten têm sido cada vez mais populares (assista aqui). Na Netflix, por exemplo, temos todo tipo de documentário seriado que se pode imaginar: desde transformação de pessoas e carros (como Queer Eye e Midas do Ferro) até serial killers (como Sou um Assassino e Por Dentro da Mente do Criminoso).

Todos os temas são interessantes e merecem relevo, mas o que é mostrado em Rotten é muito mais importante porque nos impacta diretamente: tem relação com nossa saúde e com aquilo que comemos.

E o apelo está justamente em seu imediatismo. Aqui no Brasil, estamos discutindo há tempos sobre usar ou não agrotóxicos que têm potencial enorme para atingir nossa saúde. Isso, por si só, já é importante discutir. Só que Rotten Netflix tem preocupações além: desde a produção de alho até o abate de frangos, existem coisas muito erradas nessa cadeia que nos faz, ao fim, sentir revolta. E com uma vontade enorme de acabar com esse esquema.

Um sistema podre mostrado por Rotten Netflix

Rotten faz a observação, em cada um dos episódios de uma hora, sobre os processo de plantio ou criação, indo de ponta a ponta. Ou seja: desde a produção até o consumidor final. E percorrer esse caminho é insano e revoltante: podemos ver o quanto estamos ingerindo produtos que podem acabar com a nossa saúde em pouco tempo. Produtos esses que nos são vendidos como saudáveis.

A série dispara para todos os lados: os grandes cultivadores e produtores de carne, os produtores caseiros e pequenos fazendeiros, até os supermercados. Todos têm sua parcela de culpa no processo, seja por ação ou omissão. A nossa trajetória, assistindo a essa série, é perceber os erros que estão arraigados na sociedade, alimentando um sistema podre que está acomodado por conta da falta de fiscalização e ação de quem deveria controlá-los.

Inclusive há espaço para o Brasil no enredo de Rotten, já que um episódio é dedicado ao nosso produto de exportação maior: a carne. Mas não vemos apenas isso. Assistindo à série, vamos dando uma volta no planeta para chegarmos à conclusão de que o problema é mundial.

Não é exclusividade daqui ou dali: está por todo lugar.

De quem é a culpa?

Depois de alguns episódios, Rotten começa a tratar com mais simpatia os pequenos produtores, colocando-os como vítimas desse sistema. O maior vilão, no fim das contas, é o esquema financeiro que traduz essas produções em números, enchendo os bolsos de investidores. Tudo isso, claro, às custas de um sistema de produção que claramente não funciona e só prejudica as pessoas.

O documentário Netflix Rotten, portanto, tem um dever além do entretenimento: informar. Ainda há resistência em reconhecer os problemas da cadeia produtiva que leva comida para a nossa mesa. Uma boa maneira de conhecê-la bem é assistindo aos seis episódios da série documental.

Por outro lado, assistir a isso também traz um desalento: perceber que o sistema é grande e forte, e que dificilmente será desmantelado. Há enormes interesses políticos e econômicos envolvidos.

O que nos resta, portanto, é ter a consciência do problema e fazer o possível para minimizá-lo. Rotten, em sua primeira temporada, é como um grito de alerta em nossa mesa de jantar.

Trailer e informações da série documental Netflix Rotten

Texto na imagem: “Não é mel”

Sinopse 1: Falsificação e sabotagem em produtos como leite e mel: um panorama sobre o lado obscuro do comércio ilegal de alimentos.

Sinopse 2: Com um mergulho na cadeia de produção dos alimentos, esta série documental revela verdades amargas e expõe forças ocultas que definem o que comemos.

Idioma: dublado (com opção de áudio original em inglês, e legendas em português);

Total de episódios (na data deste post): 1 temporada com 6 episódios de aproximadamente 50 minutos cada;

Classificação etária: 12 anos;

Ano de lançamento: 2018;

Gênero: Série documental;

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