The Dirt – Confissões do Mötley Crüe Netflix: Crítica da biografia da banda

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The Dirt – Confissões do Mötley Crüe é um filme honesto, na medida do possível. Isso porque, ao contar a trajetória da banda, evita os artifícios que tornaram “Bohemian Rhapsody” (ou “o filme do Queen”) tão mal visto pela crítica e boa parte do público. Aqui, os quatro integrantes do conjunto de rock são mostrados quase inteiramente em suas personalidades. Quem conhece o Mötley Crüe sabe que essa é uma excelente notícia (assista aqui).

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O filme Netflix conta as origens da banda, que começou a fazer um enorme sucesso na década de 80. Com um estilo que pode ser tachado de “irreverente”, eles levaram o lema do sexo, drogas e rock n’ roll até as últimas consequências. Evidentemente, nem tudo foi diversão. Cada um deles passou por maus bocados durante os intensos anos 80, mas mantiveram-se fiéis à sua essência. Em The Dirt – Confissões do Mötley Crüe, isso é mostrado com relativa fidelidade.

Uma banda do barulho

O filme The Dirt – Confissões do Mötley Crüe narra a história de vida dos quatro integrantes da banda a partir do ponto de vista de cada um. Ou seja: todos são narradores do filme em determinado ponto. Dessa forma, o longa ganha muito em agilidade e também em coerência narrativa. Não vemos o desenrolar dos acontecimentos através da ótica de uma só pessoa. Pelo contrário: acompanhamos, às vezes, a mesma ação vista pelos olhos de dois ou mais personagens. Não é uma inovação narrativa, é claro. No entanto, provoca um frescor no esquema tão batido das cinebiografias. Principalmente, nessa nova moda de “biografia de banda”.

the dirt confissões do motley crue netflix critica filme banda heavy metal 2Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil – os membros do Mötley Crüe – viveram até as últimas consequências a vida de rockstars. Festas homéricas, orgias, drogas de todo o tipo: tudo era permitido. O filme, portanto, só faz o trabalho de retratar essas intensas festas, além de mostrar a enorme força que a música deles alcançou e alcança até hoje, quando já venderam mais de 40 milhões de discos pelo mundo. Nada disso seria minimamente interessante se não fosse a atuação do quarteto principal. Iwan Rheon (Mick Mars), Daniel Webber (Vince Neil), Douglas Booth (Nikki Sixx) e Machine Gun Kelly (Tommy Lee) são a força e a alma do filme. Eles encarnam os quatro rapazes que sabem curtir a fama como ninguém com uma veracidade impressionante.

Sem qualquer sombra de dúvida, o filme Netflix The Dirt – Confissões do Mötley Crüe vale por eles. A química entre o quarteto é invejável, fazendo parecer que eles são, de fato, astros do rock.

Qualidade acima de tudo

the dirt confissões do motley crue netflix critica filme banda heavy metal 3A direção de Jeff Tremaine – a primeira da carreira, depois de anos na produção de TV – acerta em cheio. Tanto nos recursos estilísticos quanto na manutenção da coesão da história. Por outro lado, o roteiro toma algumas liberdades criativas que os fãs de Mötley Crüe vão perceber facilmente. Entretanto, não se compara aos erros crassos vistos em “Bohemian Rhapsody”. São mudanças pontuais e que servem para levar a narrativa adiante. Considerando a trucagem de edição, com as múltiplas narrações, esses deslizes são perdoáveis.

O Mötley Crüe é uma banda que pode ser considerada, digamos, “porra louca”. Ninguém no showbiz curtiu mais as benesses e os efeitos colaterais da fama do que eles. O filme faz jus a toda essa história que, olhando de fora, pode parecer inacreditável. Muita gente pode achar que é uma banda de mentira: era possível usar tanta maquiagem nos anos 80 e ainda assim parecer másculo? Pois é: eles podem não ter sido precursores do estilo rocker de se comportar, mas com certeza foram um dos que mais ajudaram a cristalizar esse estilo de vida junto ao público.

Enfim: são duas horas de longa-metragem que a gente nem vê passar, tamanho é o envolvimento com os personagens, com a história, com a ambientação. The Dirt – Confissões do Mötley Crüe encaixa as peças nos lugares certos para nos entreter, além de apresentar a música e o estilo dessa icônica banda a uma nova geração carente de ídolos. Eles não são exemplos a serem seguidos; no entanto, o filme mostra que eles possuem uma história impressionante e sedutora, e que aproveitaram cada segundo de fama que obtiveram através de seus talentos.

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Outras informações do filme Netflix The Dirt – Confissões do Mötley Crüe

Sinopse Netflix: Acompanhe a ascensão meteórica e os tombos homéricos do Mötley Crüe nessa biografia dos quatro desajustados de Los Angeles que conquistaram o topo do heavy metal.

Duração: 1h 48min;

Classificação etária: 18 anos;

Ano de lançamento: 2019;

Gênero: Biográfico, Baseado em fatos;

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The Dirt - Confissões do Mötley Crüe é um filme honesto, na medida do possível. Isso porque evita os artifícios que tornaram o filme do Queen tão mal visto.

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Sobre o Autor

Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.

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