Longas e Curta-metragens

Um Mar de Esperança Netflix: crítica do filme malaio

A tradição dos filmes malaios, origem de Um Mar de Esperança, é de serem, em sua essência, bobos. O país não tem grande apreço por histórias mais consistentes, fazendo um cinema que agrada apenas ao público interno. Em comparação, é como se a produção cinematográfica brasileira se resumisse a filmes do Leandro Hassum.

Entretanto, neste longa que agora está disponível no catálogo da Netflix, há um apuro técnico impressionante que o transforma em uma produção diferente (assista aqui).

É inegável a competência técnica que o filme Netflix Um Mar de Esperança possui, além de um enorme cuidado com o roteiro. Baseado em uma história real (o que a engrandece ainda mais), o enredo cobre seis décadas sem perder o foco principal. E que foco! Uma história de amor perdido, onde uma senhora pede a seu neto que descubra o paradeiro do seu marido, desaparecido no mar há mais de 60 anos. Com isso, já dá para perceber que é um filme que promete muito.

Felizmente, entrega à altura.

Amor entre os tempos

Kabir Bhatia, diretor de Um Mar de Esperança, usa de todo o seu talento para mostrar essa história de amor entre os tempos, onde acompanhamos as lembranças de uma velha senhora que, à beira de morte, pede ao neto para que descubra o que aconteceu com seu marido. Viajamos em suas memórias e também nas descobertas do rapaz, que aos poucos reconstrói os eventos que levaram ao desaparecimento do pescador. Há uma pitada de “Titanic” no começo, quando ela começa a rememorar como conheceu o homem de sua vida, o que não é ruim. Bhatia, sobretudo, dirige as cenas com muita competência, evitando boa parte dos clichês do gênero e focando em sua história.

Além disso, há uma atenção impressionante à técnica para um filme malaio. Evidente que, quando se precisa usar a tela verde (CGI), algumas cenas parecem totalmente deslocadas, mas a destreza de Bhatia na direção do longa faz com que isso seja percebido apenas pelos mais exigentes. No geral, Um Mar de Esperança traz uma história épica que não se perde em momento nenhum, tendo começo, meio e fim bem definidos e que emociona na medida certa. Sem exageros melodramáticos, o filme consegue cativar.

Fora isso, é preciso destacar a incrível fotografia, a cargo de Zambree Haras. As imagens são captadas com maestria. Nas cenas à beira da praia, a fotografia é solar, colorida sem exagerar. Quando passamos a acompanhar a trajetória do pescador assim que ele sai de casa para ganhar o mundo, somos apresentados a lugares escuros, cinzas, desanimadores. Principalmente quando ele está em alto-mar.

Tudo isso é passado pelas lentes de Haras com muita destreza, transformando este aspecto no ponto alto do filme.

Sempre há esperança

Em tempos de desespero para o mundo todo, com o avanço do protofascismo na maioria dos países, Um Mar de Esperança vem trazer um conforto aos corações dos espectadores. A sua mensagem é clara: sempre há esperança para aqueles que acreditam no melhor da humanidade.

O filme emite um sinal claro nesse sentido. Por isso, aquece a alma de quem o assiste.

A produção malaia é uma forte candidata a ser considerada uma das melhores daquele país. Poucas vezes se viu uma profundidade temática, aliada a uma capacidade técnica absurda, vindo de um longa daquelas bandas. Com certeza vale a pena assisti-lo: apesar da barreira linguística (para quem está acostumado com produções com áudio em inglês), a sua mensagem é universal e necessária para nos dar esperança em tempos onde as trevas, pessoais ou coletivas, se aproximam cada vez mais.

Recomendamos também o filme Mais Uma Chance.

Imagens e informações do filme Um Mar de Esperança

Sinopse 1: Ele foi para o mar, mas prometeu voltar para casa. A vida passou, e ela ainda espera,

Sinopse 2: Thom pede a seu neto que descubra o que aconteceu com o avô, um marinheiro que partiu há 61 anos em busca de fortuna.

Idioma: áudio em malaio, com legendas em português;

Duração: 1h 58min;

Classificação etária: 12 anos;

Ano de lançamento: 2018;

Gênero: Drama, Romântico, Aventura;

Compartilhe
Convidado

Este é um artigo enviado por um convidado do site.

Ver comentarios

Publicado Por